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Polícia - Segurança Pública

 

Terça-feira, 23 de Novembro de 2021

ONU exige investigação isenta sobre a chacina do Salgueiro: nove mortos

Chacina: empilhamento de corpos e o braço da polícia fluminense
Chacina: empilhamento de corpos e o braço da polícia fluminense


(reprodução de TV)

A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu nota exigindo que o governo brasileiro encaminhe uma investigação isenta para apurar as responsabilidades sobre a chacina que vitimou pelo menos nove pessoas na Favela do Salgueiro, em São Gonçalo. O caso, que está longe do ineditismo, revela o perfil das polícias fluminenses historicamente envolvidas com crimes de morte e suspeitas de execução. As chacinas de Vigário Geral, Candelária, Nova Iguaçu e Jacarezinho, esta ocorrida no ano passado, tiveram a participação direta de policiais.



Diante da repercussão negativa do caso, que estremece as intenções do atual governador, Claudio Castro, de tentar a reeleição, a Polícia Civil, claramente sob interferência polícia, solicitou à Polícia Militar, informações básicas: o quantitativo de policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que estavam na operação policial. Os nomes, números de registros, armas e outros dados complementares e fundamentais devem ser buscados caso haja cobrança futura.

A chacina aconteceu entre a noite de sábado (20) e a manhã de domingo (21). Os investigadores da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI) juram querer saber o nome de cada agente e onde eles estavam no momento do confronto para, só assim, apreender as armas utilizadas por eles.

Vale ressaltar que coube à própria população buscar os corpos lançados pela polícia no manguezal com o objetivo de escondê-los. A ocultação de cadáver será mais um crime pelos quais os policiais deverão responder caso se faça, de fato, uma investigação isenta.

Os policiais de elite da PM, o Bope, consagrado no cinema como uma tropa fascista que usava de técnicas de tortura, não informaram à DHNSGI que havia mortos na favela após a ação. Na manhã desta segunda-feira, moradores da localidade recolheram os corpos que estavam em um manguezal. A perícia só começou na manhã desta segunda-feira, depois que a Polícia Civil foi notificada.

O objetivo da DHNSGI é conseguir apreender os armamentos utilizados na ação. Além disso, os investigadores querem saber o número de munições que foram utilizadas na operação. Nas últimas horas, alguns parentes das vítimas já prestaram depoimento na especializada.

No domingo um homem foi socorrido e levado para o hospital da região. Já nesta segunda-feira, moradores e familiares encontraram os corpos de oito homens dentro de um manguezal da região. Eles foram retirados e deixados em um lote vago do bairro Palmeiras.

Todos os oito corpos estão no Instituto Médico Legal (IML) de São Gonçalo, no bairro de Tribobó. Os laudos da necrópsia estão sendo preparados devem ficar prontos ainda nesta terça-feira. Os legistas querem saber se há marcas de ferimentos por armas brancas nos corpos.

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Além da Delegacia de Homicídios, o Ministério Público do Rio abriu um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar as circunstâncias das mortes. Os promotores querem saber se houve excessos na ação. Um perito do órgão acompanhou as necropsias que foram feitas nos corpos. A Corregedoria da PM também abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes e se aconteceu algum desvio cometido pelos militares durante a ação.

A ação militar que culminou nas mortes dos homens aconteceu após uma viatura do 7º BPM (São Gonçalo) ser atacada, na manhã do último sábado, durante um patrulhamento no bairro de Itaúna, também no Complexo do Salgueiro. Na ocasião, o soldado Leandro Rumbelsperger da Silva, de 40 anos, foi baleado e não resistiu aos ferimentos. Horas após a morte do agente, o Bope foi para a região. Moradores relataram que entre sábado e domingo um intenso tiroteio foi registrado na região.

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a Comissão de Direitos Humanos da OAB-Rio, e o Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh) da Defensoria Pública do Estado acompanham o caso.

O articulador social da ONG Rio de Paz, João Luís Silva, esteve na Comunidade da Palmeiras nesta segunda. Ele conta ter se deparado com um cenário "devastador, muitos relatos de violações de direitos e destruição na comunidade".

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- As cenas dos corpos enfileirados e pessoas carregando esses corpos são impactantes. É mais uma barbárie que apresenta esse perfil violento de ação da polícia. É claro que a gente se sensibiliza pela morte do policial militar, mas não dá para aceitar que a polícia aja como bandido, que forme um grupo de extermínio dentro da polícia e saia matando como vingança - destacou.

Ocupação no Salgueiro

O 7º Batalhão (São Gonçalo) realiza diversas operações nas comunidades do Complexo do Salgueiro desde junho para ocupar o território e tentar diminuir os índices de criminalidade na região, principalmente o roubo de carga e de veículos. O conjunto de favelas fica nas margens da Rodovia Rio-Manilha (BR-101). Segundo investigações da Polícia Civil, é da comunidade que costumam partir carros ocupados por traficantes que realizam assaltos contra motoristas de automóveis e ainda veículos de carga. Atualmente, o Complexo do Salgueiro é controlado pelo traficante Antônio Hilário Ferreira, o Rabicó ou Coroa.

A polícia afirma que as ações realizadas no Salgueiro cumprem a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a "excepcionalidade" e que houve a comunicação ao Ministério Público.

- O Ministério Público se manifestou que já tinha ciência sobre a ação do 7º Batalhão. Todas as ações realizadas pela Polícia Militar são avisadas ao MP. Temos uma plataforma online para realizar a comunicação em tempo real. Esse desencadear se aplica bem no aspecto da excepcionalidade definido pelo Ministro Edson Fachin, do Supremo. Quando o risco de morte se apresenta, é fundamental que a gente tenha uma intervenção policial no terreno. O objetivo dessas ocupações na região para reduzir o enfrentamento e impedir que os criminosos invistam nas guerras de facções - disse o tenente-coronel Ivan Blaz, porta-voz da corporação.

 

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