• Ouça a Rádio
  • Galeria de Fotos
  • Vídeos
  • Facebook
  • Twitter
Conexão Jornalismo é o primeiro site do país a merecer o selo verde.
Planvale

Busca

 

Galeria de Fotos

 
 

 
 

Comunidade

home > colunas > gastronomia > restaurantes

Gastronomia - Restaurantes

 

Quinta-feira, 29 de Setembro de 2016

Descasca essa, Moro: Cerveró nega ter recebido dinheiro para não delatar Lula

Da Redação

As convicções sem provas tem fragilizado a cada dia mais as teses da Operação Lava-Jato. Neste depoimento de Nestor Cerveró, ele nega ter recebido recursos para não citar Lula na Operação Lava-Jato. A tese surgiu a partir do grampo feito pelo filho do acusado em conversa da qual participou o então senador Delcídio Amaral.


Cíntia Alves

Delcídio do Amaral era diretor da Petrobras - onde a roubalheira era "histórica" - desde o governo FHC. Foi ele quem emplacou Nestor Cerveró na Diretoria Internacional. Em troca, pediu o desvio de R$ 6 milhões para pagar dívida de campanha. Há a possibilidade de Delcídio ter comprado o advogado de Cerveró para impedir qualquer acordo de delação que trouxesse seu passado à tona. Pego em flagrante, o ex-senador jogou a bomba no colo de Lula

Jornal GGN - Delcídio do Amaral é um dos principais delatores na ação em que Lula é acusado de tentativa de obstruir a Lava Jato. Após passar uma temporada na prisão por ter caído num grampo que comprova que ele ofereceu dinheiro e uma rota de fuga para Nestor Cerveró, Delcídio decidiu jogar no colo de Lula a responsabilidade pela tentativa de comprar o silêncio do ex-diretor da área Internacional da Petrobras.

Para deixar a prisão e fechar um acordo de cooperação, Delcídio confessou à Lava Jato que pagou cerca de R$ 250 mil ao advogado Edson Ribeiro, que fazia a defesa de Cerveró. Esse montante saiu do bolso de Maurício Bumlai, filho de José Carlos Bumlai, que teria sido procurado pelo próprio Delcídio para "colaborar" com a operação cala-a-boca. O papel de Lula teria sido o de pedir a Delcídio que algo fosse feito para evitar que Bumlai caísse na delação de Cerveró.

Mas o depoimento de Cerveró à força-tarefa mostra algumas incongruências nessa denúncia. A começar pela teoria que ainda não ganhou espaço na imprensa tradicional, talvez por favorecer a defesa de Lula: a de que Delcídio estaria pagando o advogado Edson Ribeiro para impedir Cerveró de fechar qualquer acordo com a Lava Jato - principalmente se fosse para implicar o ex-senador.

A teoria tem base na gravação do depoimento de Cerveró, feita pela Lava Jato e entregue ao Estadão para publicação.

A partir dos 23 minutos, o ex-diretor da Petrobras comentou o caso de tentativa de obstrução deixando claro que nunca recebeu dinheiro para não fazer delação, ao contrário de seu advogado. Ele também negou que Lula tenha participado da operação de Delcídio.

"É uma histórica cumprida. Durou um ano e tanto, desde que fui preso, em novembro de 2015. Meu advogado [Edson Ribeiro] sempre insistiu que eu não deveria fazer delação. Como com Delcídio sempre tive amizade, falei para meu filho [Bernardo Cerveró] que iria procurar Delcídio e outros, mas na época ele estava com expressão grande, era líder do governo... Delcídio disse que iria resolver. Ofereceu ao meu filho algumas parcelas que nunca foram entregues, a não ser a primeira, que foi paga diretamente por Delcídio a meu filho, que repassou ao Edson, 50 mil reais."



erveró contou que durante todo o tempo em que ficou preso, não via possibilidade de acordo com a força-tarefa de Curitiba, nem seu advogado teria feito qualquer esforço para conseguir algo com a Procuradoria Geral da República.

Após ser condenado pelo juiz de primeira instância, Sergio Moro, ele contratou outro escritório que passou a fazer as tratativas com um procurador identificado como "Miller", que pode ser Marcello Paranhos de Oliveira Miller, membro da força-tarefa em Brasília.

"A gente assinou um acordo de confidencialidade, mas os procuradores diziam que as informações que eu trazia já eram de conhecimento. Ao mesmo tempo, Edson insistia que não poderia entregar o Delcídio. Porque o meu filho apresentou o Delcídio ao Edson, e o Edson ficou muito entusiasmado com essa proximidade de governo. Ficou especulando acordos e me trazendo essa informação de que não deveria envolver o Delcídio nas delações porque eles conseguiriam me soltar. Só que o negócio não acontecia."

Então, o escritório que assumiu a defesa orientou Bernardo Cerveró a gravar uma conversa com Delcídio para oferecer à Lava Jato como moeda de troca. "Ele se armou de vários gravadores. Eu falei para o Edson que precisava falar com o Delcídio, que eu precisava de uma solução. Edson marcou a reunião com Delcídio, e meu filho gravou."

Na conversa, Delcídio se complicou: ofereceu dinheiro, uma rota de fuga cinematrográfica e influência junto a ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça para conseguir um habeas corpus para Cerveró.

"Mas eu nunca cogitei fugir. Tudo isso foi fruto da gravação do Bernardo, porque isso nunca me foi dito. Nunca me foi oferecido dinheiro para ficar quieto. Isso foi oferecido nessa reunião [entre Delcídio, Edson Ribeiro, Bernardo Cerveró e um assessor do ex-senador, Diogo Ferreira]."

Cerveró apontou que o favorecido pela espécie de suborno oferecida por Delcídio foi o advogado. "Na verdade, o dinheiro foi oferecido para o meu advogado. Ele iria receber 4 milhões e minha família, uma mesada de 50 mil reais", disse Cerveró, que ainda acrescentou: "O Bernardo nunca recebeu dinheiro. Houve pagamento para o meu advogado, do Maurício [Bumlai], mas isso nunca me foi dito."

E seguiu o diálogo até que Cerveró disse que nunca chegou a ele que Lula estaria mexendo os pauzinhos por trás das ações de Delcídio para ajudar Bumlai ou quem quer que seja:




Lava Jato: Qual o interesse de Delcídio que o senhor não celebrasse o acordo de colaboração?

Cerveró: Para não colocar o nome dele. Isso é o que consta, e não só isso, mas ao longo do processo o Edson disse várias vezes que eu não deveria citar o Delcídio.

Lava Jato: E qual o interesse do ex-presidente Lula?

Cerveró: Eu não tenho... Nunca foi mencionado nada do Lula comigo, nem com o Bernardo.

Lava Jato: E o interesse do Bumlai?

Cerveró: Do Bumlai, eu não sei. (...) Também estive compartilhando a cela com Bumlai e nunca houve uma manifestação explícita sobre isso.

O PASSADO DE DELCÍDIO

No final das contas, Delcídio foi pego em fragrante tentativa de obstruir a Justiça e decidiu colaborar com a força-tarefa atribuindo a Lula o comando do chamado Petrolão e pela compra do silêncio de Cerveró. Qual o interesse de Delcídio em responsabilizar o ex-presidente por um crime que ele confessou ter cometido? A resposta é: todos.

Delcídio foi diretor na Petrobras durante o governo FHC. Cerveró, que destacou "amizade" com o ex-senador, disse que foi seu "subordinado" desde 1999. Ele afirmou que Delcídio usava o cargo para forjar caixa dois de campanha em benefício próprio.

Quando Lula foi eleito, em 2002, "coincidentemente" Delcídio conquistou uma cadeira no Senado pelo Mato Grosso do Sul, onde o PT também passou a governar com Zeca, mais conhecido como Zeca do PT.

Delcídio, então, disse a Cerveró que eles poderiam usar o prestígio que o governador Zeca conquistou dentro do PT para pedir apadrinhamento para um cargo no primeiro escalão da Petrobras. Cerveró acabou na Diretoria Internacional, que era o "patinho feio" da estatal, com orçamento de 15 bilhões de dólares para cinco anos de trabalho.

No primeiro vídeo do depoimento, Cerveró disse que Delcídio foi o primeiro e único petista que lhe pediu diretamente desvio de recursos da Petrobras para bancar sua campanha. Acompanhe por volta dos 27 minutos e 30 segundos:





(leia a reportagem completa no site GGN_)



MENÇÃO A TEMER

Cerveró, que já havia resolvido uma dívida do PT com o grupo Schahin com os contratos da sonda 10000 da Petrobras, conseguiu ajuda de Bumlai para conversar com Temer. Mas o hoje presidente da República disse que não podia deixar de atender a demanda da bancada que queria a substituição de Cerveró na Diretoria Internacional.

Quem anunciou a Cerveró a mudança foi o ex-ministro Edson Lobão, que teria dito que o acordo entre ele e Jader Barbalho para abastecer o PMDB no Senado chegara ao fim e que Lula estava de acordo com a alternância. Cerveró passou a trabalhar na BR Distribuidora sob influência do PP.

Ao longo do depoimento, Cerveró ainda disse que Lula tinha uma "visão internacionalista" da Petrobras e, por isso, acompanha de perto os investimentos da estatal.

Foi o suficiente para a Lava Jato assegurar que Lula sabia de todos os esquemas de corrupção, embora Cerveró tenha afirmado que, de sua parte, só conversou com o ex-presidente duas vezes: quando foi elogiado por ter aberto um escritório da Petrobras em Cuba e, outra, quando repreendido por ter fechado essa mesma sede.

Afinal, o que depreende-se do depoimento de Cerveró é que Delcídio tinha motivação clara para tangenciar a Lava Jato e jogar a bomba dos crimes que confessou no colo de Lula.

 

Veja também:

>> "A cidade onde envelheço" vence Festival de Cinema de Brasília - vídeo

>> Receita Federal afirma que procedimento de fiscal no Aeroporto seguiu padrão

>> Carandiru: uso político da chacina se repete 24 anos depois

>> Professor de Direito Penal vê estratégia entre PF e Moro para decretar prisões

>> Marta ataca Temer e diz que queda nas pesquisas se deve a ele

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook
  •  
  •  
  •  comentário(s)
  •  
 
Descasca essa, Moro: Cerveró nega ter recebido dinheiro para não delatar Lula
 

Copyright 2020 - WebRadio Programa Conexão - Todos os direitos reservados

Desenvolvido por Go2web

Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui!