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Estética - Estilo

 

Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

"Não tá faltando homem. É a gente que não quer mais"

O debate sobre gênero, machismo e feminino é, certamente, o marco destes tempos. O machismo é visto em cada homem pelo fato de ter pênis, e em nome disso todo castigo aplicado será pouco. Como se uma dívida histórica viesse junto ao nascimento. A mulher, por sua vez, há anos subjugada, sofre a cada dia o tempo que passou como se houvesse um taximetro à sua frente - as viagens passadas cobram o preço. Neste artigo, bem humorado, Flávia Azevedo fala das suas experiências e expectativas diante deste abismo que nos separa. Ah, ela é mãe de Leo.



Flavia Azevedo é produtora e mãe de Leo

Eu acho uma pândega quando vejo um homem dizer que "tá faltando homem no mercado nacional". Assim, tirando onda, como se ele mesmo fosse um exemplar raríssimo de uma espécie em extinção. Com isso, ele quer se gabar do fato de ser minoria numérica e também dizer que "tem muito viado no mundo". Então, estar diante de um brasileiro, do gênero masculino e heterossexual, devia ser algo capaz de fazer qualquer mulher heterossexual declarar amor. Imediatamente. Porque ele é uma raridade.

Tá certo que, de vez em quando, sai uma matéria dizendo da última pesquisa que prova que há mais mulheres do que homens no planeta. Não discuto números, mas no Brasil, por exemplo, são 96,7 homens para cada 100 mulheres. É uma diferença mínima. Isso não é " faltar homem", francamente.

Sobre a parte "tem muito viado no mundo", não é possível que alguém não saiba que sempre houve homens gays, que a única diferença é o fato de que a maioria, felizmente, não se esconde mais. Espero que todos entendam também que lésbicas não são uma criação da esquerda contemporânea, que elas sempre estiveram aqui. De forma que o arco-íris não "rouba" homem hétero de ninguém porque inclui ambos os gêneros e, noves fora, fica tudo igual.

Muito além dos números e das teorias homofóbicas de botequim, há a subjetividade, o corpo a corpo, o andar por aí, a observação de quem anda dispensando quem. E, pelo que eu vejo, a situação é bem outra. Não tá faltando homem hétero de jeito nenhum.

Fato é que dizemos que "tá faltando homem" pensando numa coisa e eles repetem "tá faltando homem" entendendo outra. O que a gente tá dizendo é que "tá faltando homem QUE PRESTE no mercado". O que a ararinha azul humana precisa saber é que estamos falando de qualidade. Rá! Não basta ser "macho" mais não.

"Para cada amiga descasada, sem namorado e sem perspectivas de paixão, há pelo menos um cara disponível a quem ela diz "nem morta!".



Homem não tá faltando, mas quase não se acha mais a espécie "mulher de antigamente". Quer dizer... de ter, tem. Mas acabou. Tá acabando. Tá bem no fim do estoque. A gente não engole mais qualquer um. E o que tá faltando é homem pra essa mulher que nos tornamos.

Ainda tem mulher que "suporta", que faz de tudo pra manter um sujeito qualquer no lugar de marido, namorado, homem oficial pra exibir. Mas, muitas de nós já não são assim. Eu podia estar casada. A maioria das minhas amigas solteiras, também. Porque em quase todas as histórias, fomos nós - e não eles - que dissemos: parou, acabou, não quero mais não. Teve choro. Teve vela. Na maioria dos casos, inclusive, teve muito "mimimi". Masculino, bom saber.

Mudamos e foi muito. Eu não suporto mais o que, em outros tempos, suportei. Não dou mais aqueles mil descontos porque "homem é mesmo assim". Para cada amiga descasada, sem namorado e sem perspectivas de paixão, há pelo menos um cara disponível a quem ela diz "nem morta!". Para cada convite de homem babaca (aqueles que a gente tentava consertar), há uma farra com as amigas, um show pra ir com a galera, um livro bacana pra ler, uma noite pra dormir em paz. Fazemos nossas escolhas. E a mudança foi essa. A gente até gostaria, mas agora tem que ser bom. A paciência acabou.

Solidão? Talvez sim. Soube, outro dia, que tem mulher viajando para turismo sexual. Consensual. Marca pelos aplicativos, sai do país, transa, se diverte a vera e volta em paz. E quando isso parece mais simples do que andar pela cidade, é que um abismo se colocou entre nós. Estamos em lados opostos, nos olhando com estranhamento e repulsa. Uma situação com muitas nuances, um efeito de avanços sociais. Muita estrada diante de nós. Vamos caminhar. E pra começo de conversa, o importante é entender: não tá faltando homem. É a gente é que não quer mais.


Do Correio da Bahia

 

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