• Ouça a Rádio
  • Galeria de Fotos
  • Vídeos
  • Facebook
  • Twitter
Conexão Jornalismo é o primeiro site do país a merecer o selo verde.
Planvale

Busca

 
Audiência na TV

Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018

Caetano entrevista Manuela D'Ávila
Audiência na TV

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook

Conexão TV

Terça-feira, 02 de Outubro de 2018

Globo X Record: nem nas pesquisas as emissoras combinam

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook
VER +

Galeria de Fotos

 
 

 
 

Comunidade

home > colunas > estética > estilo

Estética - Estilo

 

Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

"Mas mulher também assedia sim"

Flavia Azevedo
Flavia Azevedo


O tema é tabu. Há mulheres que odeiam ver homens dando pitaco no tema "Feminismo" como se fosse ele uma espécie de propriedade exclusiva de gênero. É mais ou menos que falar para a clara que deve parar de se envolver com a gema. Ou a casca. Mas o fato é que o tema avança e cada vez mais ganha espaço na mídia - o que é ótimo. Neste artigo, Flavia Azevedo mostra um lado da moeda que até então era mantido calado: as mulheres que assediam porque sabem que o homem, pela pressão social que sofre, não poderá dizer não. Ou será chamado de frouxo, bicha, brocha e por aí vai. Leia aqui.



"Mas mulher também assedia". Sim. E por que eles não dizem nada?
Por Flávia Azevedo

Pra você ver como não presta pra ninguém esse patriarcado. Pra você ver que o melhor é todo mundo de igual pra igual. Mulher também assedia, sim. Usa o fato de ser chefa pra pegar o estagiário, deixa homens em situações desconfortáveis. Não é o mais comum, mas claro que tem. E fazem isso na maior tranquilidade. Por que? Porque elas sabem que homem, a isso, não reage.

Pra reagir seria preciso ter muita coragem. Enfrentar os amigos, expor fragilidade. O que é que se espera de um homem assediado? Que, no mínimo, não se incomode (seria muita "viadagem"). Mais do que isso, que ele vá lá e pegue a mulé. Pelo menos uma vez, pra mostrar que é macho. Seja quem e como ela for. Pepeka de jeito nenhum pode ser uma coisa dispensável.

Mesmo que ele não queira. Mesmo que tenha que tomar remedinho pro pinto que sobe com outra, mas com aquela não funciona nem a pau. Mesmo que tenha nojo da pessoa e não tope nem beijar. Mesmo pensando em outra pra conseguir transar. Mesmo que tenha um amor e o corpo peça pra ser só com ela. O que gente ordinária espera do homem tradicional é que, mesmo sem desejo, ele vá lá e "faça o trabalho".

Obrigado mesmo nenhum é. Mas obviamente há uma expectativa no senso comum. Homem ainda vai porque "tem que ir". Pra não ser chamado de "viado", "frouxo", "brocha". Com medo de julgamentos, homens estupram a si mesmos todos os dias, por aí. Porque sexo sem desejo é o que? E muitos nem vão, mas engolem assédios porque macho (que é macho mesmo) não reclama de mulher querendo dar.

Tenho pena? Não tenho. Porque se digo "estupro", é metafórico. O literal sofremos nós, em geral. É pesado e nem se compara. Nenhuma mulher pega homem à força, como muitos deles nos fazem. Mas é inevitável pensar: essa cobrança de virilidade equivale à exigência da "pureza" feminina. Também eles são ensinados a viver sexualidade como instrumento de posicionamento social. Mulher respeitável, se guarda. Homem que é homem, se dá. Está clara a perversidade?

De certa forma, esses "machos tradicionais" também são vítimas do sistema que ajudam a perpetuar. É o cipó voltando pro lombo de quem mandou dar. Raciocínio perigoso, eu sei. Mas, banco. Porque me parece elementar.

Obviamente há sofrimento nessa cobrança de performance, nesse "comer" obrigatório onde afetos e desejos profundos se perdem, onde a pessoa violenta a si mesma e acha normal. Adaptando a frase clássica, "ninguém nasce babaca, torna-se babaca". E esse processo não deve ser fácil.

Tá mudando? Tá! Tenho fé numa nova masculinidade. O que quero pra mim, desejo a todo(a)s. Que se possa dizer sim e não com a mesma naturalidade. Mulheres, com menos amarras. Homens, com menos pressão. Ambos livres de julgamentos de terceiros. Pessoas que, sinceramente, consigam não se importar.

Homens assediam mulheres. Muito. Por medo de violência, ficamos caladas por muito tempo. Só que estamos mais fortes e aprendendo a falar. Mulheres assediam homens. Menos, mas acontece. E isso não é banal. Por medo do ridículo, eles ainda não conseguem sequer assumir o incômodo, que dirá verbalizar. Tudo efeito da mesma lógica. Tá tudo no mesmo balaio. Este só um exemplo, entre muitos possíveis, pra falar de consciência e reação.

Fato é que quanto mais nos revemos e entendemos a nossa condição, mas percebo fragilidades na masculinidade tradicional. E o que eu sei, pra terminar a conversa, é que na minha cabeça, toda hora rola Hegel. A dialética não para de me interpelar. Resumindo, ele diz assim: o verdadeiro cativo é o senhor e não o escravo. E é exatamente isso que vejo. Mas aí já é outro papo.

Publicado originalmente no Correio 24

 

Veja também:

>> A família fez onde 13 filhos viviam em cárcere privado

>> Pressão sobre TRF4 é legítima e urgente

>> Marcia Tiburi: Desde o golpe, País está num abismo e não há mais democracia

>> Dia Internacional da Mulher será dia de luta

>> Rio terá vacinação especial contra febre amarela no dia 27

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook
  •  
  •  
  •  comentário(s)
  •  
 
"Mas mulher também assedia sim"
 

Copyright 2018 - WebRadio Programa Conexão - Todos os direitos reservados

Desenvolvido por Go2web

Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui!