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Esportes - Olimpíadas

 

Sábado, 05 de Agosto de 2017

Laís Souza: atleta que ficou tetraplégica enfrenta agora tragédia financeira

Laís: dificuldades financeiras e psicologia
Laís: dificuldades financeiras e psicologia

A reportagem que irá ao ar na Rede TV já choca o telespectador muito antes da sua exibição. Medalhista brasileira e uma das maiores atletas na ginástica olímpica, Laís Souza, que vive em uma cadeira de rodas desde que sofreu uma acidente em uma apresentação no gelo há três anos, em uma prova de esqui aéreo em Salt Lake City, nos Estados Unidos, Enfrenta uma séria crise financeira. Seu desabafo foi feito em entrevista concedida a Daniela Albuquerque, para o programa 'Sensacional' deste domingo (6). Laís foi chamada para falar sobre os avanços de sua recuperação após o grave acidente que a deixou tetraplégica. A ex-ginasta revela detalhes de sua rotina desde então e relembra as conquistas de sua carreira como atleta, destacando seu perfil aventureiro.


"Gosto de estar um passo a frente. Dentro da ginástica eu não tinha medo, tentava chegar e treinar muito. Muita gente tem medo de fazer as coisas, os duplos, os triplos, eu simplesmente chegava e fazia", revive.

Atualmente Lais se dedica à faculdade de Psicologia em sua cidade natal, Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Ela destaca o papel da área na vida de um atleta, especialmente no que diz respeito à pressão que envolve o ambiente de competições.

"Eu não tive muitos psicólogos, sempre fui meio do meu 'jeitão'. Acho que é importante, consegue diferenciar um campeão para o quarto lugar. Talvez se tivesse tido um acompanhamento melhor , teria me escutado mais e o psicólogo me traria experiência para focar melhor nas competições, poderia ser que meus resultados tivessem sido melhores".

Ela também explica que não conseguia conciliar a intensidade da rotina na ginástica com os estudos do curso de Educação Física, algo bem comum na vida dos esportistas.

"Eu treinava oito horas, ia para a faculdade, chegava lá o professor dizia: 'hoje é dia de basquete'. Aí eu não aguentava correr, fazer aula prática e teórica, que era bem difícil. Muitas vezes eu dormia na carteira".

Questionada por Dani sobre a mudança dentro do esporte - a transição da ginástica para o esqui -, ela revela as dificuldades que enfrentou.

"Foi bem difícil. Quando resolvi parar a ginástica fiquei uns dois meses em depressão, não sabia o que eu ia fazer. Tive que colocar na minha cabeça que eu tinha que fazer o destreino. O atleta não tem cobertura nenhuma, então trabalhei a vida inteira na ginástica e tive que parar para pensar no que iria trabalhar. É muito difícil para o atleta".

Ainda sobre a questão financeira, a ex-ginasta afirma:

"O mês do cadeirante é muito caro! Hoje moro em um apartamento muito pequeno, consigo ir a dois cômodos dele. Quero sonhar para poder ter uma casa e continuar trabalhando. Já lotei a agenda, tento fazer algumas palestras. Não sou profissional, mas acho que minha história pode ajudar, e aprendo muito com elas. Ainda termino o mês no vermelho, mas estou tentando sair dele", desabafa.

Durante a entrevista, Lais recorda o acidente durante os treinos de esqui nas Olimpíadas de Inverno de Sochi, em janeiro de 2014, e afirma não ter sentido dores no momento.

Laís e os exercícios para voltar a andar
Laís e os exercícios para voltar a andar  


"Não tenho lembrança nenhuma, quando acordei no hospital não tinha ideia do que tinha acontecido. Pensei que tinha quebrado uma perna, um braço, não imaginei que tinha sido isso".

Ela também conta que a equipe médica não lhe explicou o ocorrido, e que foi descobrindo sozinha que não poderia se mexer.

"Lembro quando minha mãe chegou, eu estava muito emocionada, ela também, chorando muito, e eu falei: 'mãe, coloca o celular na minha mão, porque não é possível que não está mexendo'. Ela colocou e o celular caiu. Eu disse: 'põe de novo'. Colocou, caiu. Aí que eu entendi que a coisa era séria mesmo".

Apesar da mudança radical em sua vida, a ex-atleta vive uma luta diária a caminho da recuperação e soma o que gosta de chamar de 'mini vitórias'. O maior medo dela, hoje, é pensar em perder seus grandes apoiadores nesta batalha, seus pais.

"Depois do que aconteceu comigo fiquei muito frágil, então meu maior medo é pensar que em algum momento posso perder minha mãe ou meu pai".

Com informações de
Do notícias por Minuto

 

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