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Entrevista - Personalidade

 

Terça-feira, 17 de Março de 2015

'Minha Luta Pelo Meu Povo' - a história e a língua dos ticunas (entrevista)

Por Rogério Imbuzeiro

Após 30 anos de convívio com os ticunas, Marília Facó lança um livro bilíngue que será adotado nas escolas indígenas
Após 30 anos de convívio com os ticunas, Marília Facó lança um livro bilíngue que será adotado nas escolas indígenas
A linguista e pesquisadora Marília Facó acaba de lançar, no Rio de Janeiro, um livro ao qual se dedica há muitos anos. "Minha Luta Pelo Meu Povo" se baseia em uma narrativa do líder Ngematücü (ou Pedro Inácio Pinheiro), gravada por ela em 1983 numa aldeia do Amazonas.

Além da riqueza sonora de uma língua única, Marília colheu um depoimento político e social marcante, sobre a resistência de comunidades indígenas que procuram preservar sua cultura e sua maneira de viver, mesmo em contato com a chamada civilização.

O livro é um dos raros registros escritos em língua ticuna, basicamente oral.

Na entrevista, a pesquisadora fala sobre a difícil preservação dessa diversidade, as formas linguísticas do ticuna para palavras em português (como "governo", "saudade" e "futebol") e a tentativa de multiplicar o número de professores locais, para transformar as peculiaridades desse grupo em um bem duradouro da cultura brasileira.

Leia a reportagem e ouça a entrevista.


No primeiro contato com Marília Facó identificamos, de imediato, uma pessoa apaixonada por seu trabalho. Paixão que despontou no início dos anos 80, e que só aumentou em mais de três décadas de devoção à causa indígena, em particular aos ticunas e ao desafio de botar no papel uma língua oral.

- Como descobrir uma regularidade nesse tipo de expressão? Essas línguas não são caóticas, elas se estruturam. E eu me apaixonei pela língua, ela é muito bonita de escutar. Melodicamente, quando você tem uma língua tonal, as palavras são cantadas, você tem a melodia das palavras... Nos anos 80, nenhum estudante brasileiro do meio trabalhava com línguas tonais, porque era mais difícil. E eu estava querendo uma língua que ainda não fosse estudada.


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A pesquisa linguística levou Marília a ter experiências de vida que considera extraordinárias, em contato com diversos grupos indígenas, em diferentes estados. Muitos deles haviam tido relação apenas com missionários religiosos, que se aproximavam com o objetivo de catequizar.

Um momento decisivo para a pesquisadora foi o encontro com o "cacique" Ngematücü, que se dispôs a gravar uma entrevista. Na aldeia Vendaval, ele é o "capitão", palavra trazida do convívio com exploradores na época do Ciclo da Borracha, em que um grande número de índios foi usado como mão-de-obra. Ngematücü, inclusive, foi criado por patrões, o que ajudou a moldar sua consciência e aguçar sua capacidade crítica.

- Ele falou durante 40 minutos e fez uma grande narrativa política. Ele é um líder nato, um grande orador. E aí eu datilografei, exatamente como está saindo no livro - uma página em ticuna, e aí quando você vira a página em ticuna você está virando em português também, respeitando a retórica da língua. E aí eu coloquei em sala de aula e nós começamos a estudar, não só a língua dos ticunas, os fenômenos linguísticos, mas também a própria tradução.

Na entrevista a Conexão Jornalismo, Marília Facó - que é professora do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - destaca a influência nem sempre positiva do "homem branco" sobre as diversas comunidades ticunas espalhadas pelo Norte do Brasil e também por países vizinhos. Cada uma delas vivencia um diferente grau de mistura com a cultura dominante. Em algumas, consome-se televisão e usa-se internet, e com isso situações típicas das cidades chegam às aldeias - até mesmo os chamados arrastões, assaltos praticados no interior de agrupamentos indígenas.

Parte dos professores ticunas e Marília Facó entre eles
Parte dos professores ticunas e Marília Facó entre eles  
Com a adoção de "Minha Luta Pelo Meu Povo" nas escolas ticunas, Marília acredita que os professores possam levar os alunos a refletirem um pouco mais sobre eles mesmos, comparar as culturas e fazer escolhas quanto ao presente e ao futuro.

- Nós estamos sofrendo na carne os efeitos de uma má política em relação à ocupação da terra, à utilização de recursos hídricos, não é? Esse livro pode ajudar nessa imersão no outro, nesse outro mundo. O nosso mundo não é único nem a única alternativa. Nosso modo de ser não é a única coisa, e nem a melhor coisa, para estarmos como seres humanos no mundo.

Índios torram farinha em aldeia ticuna
Índios torram farinha em aldeia ticuna  

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Ouça a entrevista na íntegra:

 

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