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Domingo, 19 de Junho de 2016

Empresários ligados a Fiesp apoiam Temer por interesse corporativo

Da Redação

Temer e empresários da Fiesp: apoio sob constante vigilância
Temer e empresários da Fiesp: apoio sob constante vigilância

Dois empresários ligados a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp*) revelaram, em entrevista ao site espanhol El País, as razões pelas quais apoiam com condicionantes o governo Temer. Chamado "golpista" por parcela dos eleitores e pela mídia internacional, rejeitado pela maioria da população conforme apontam pesquisas, o governo Temer é visto, para esta casta empresarial, como a maneira mais segura de garantir investimentos - em outras palavras: atender o crescimento empresarial. Para este segmento, a eleição da qual 54 milhões de pessoas se fizeram presentes e sufragaram o voto não se sobrepõe aos interesses corporativos.



A Fiesp* foi a entidade que ajudou financeiramente na articulação do movimento que levou ao impeachment a presidenta Dilma Rousseff. Para tanto escorou seu projeto no "marreco" inflado a ar. Leia a reportagem do El País:


Por Afonso Benites - do El País

Desde que assumiu o Governo, há pouco mais de 20 dias, o presidente interino Michel Temer tem registrado apoio de parte do empresariado brasileiro. Não é à toa. A principal entidade que congrega os empresários brasileiros, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foi uma das principais patrocinadoras do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff. Nesta quarta-feira, Temer se reuniu com 197 empresários levados ao Palácio do Planalto pelo presidente da Fiesp. Dois desses empresários explicaram ao EL PAÍS que a gestão peemedebista merece um voto de confiança porque essa é a única opção que há no momento..


Apoio condicionado
Apoio condicionado  
Carlos Eduardo Gouvêa é o diretor-presidente da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS).

Pergunta. Como o senhor avalia esse início de gestão Temer?

Resposta. Entendo que seja uma parada necessária. O Brasil estava totalmente descontrolado, sem governabilidade, os projetos não passavam no Congresso, a economia se ressentido. O setor de saúde, por exemplo, está ainda sofrendo de um problema crônico com falta de investimento, de atenção, desvios de verbas permanentes, em todas as esferas, municipais, estaduais e federal. Se não houvesse uma ruptura da política para o Brasil, entraríamos em um colapso.

P. Nesse início de trabalho, uma das críticas que o Governo Temer tem recebido é de que ele deu atenção muito forte à equipe econômica, mas nas outras áreas não foram como essa. Como o senhor vê essas críticas?

R. A área econômica teve uma atenção muito especial. Ele [Temer] montou o Dream Team, sem dúvida. São grandes nomes com respeitabilidade mundial, um caminho muito acertado. Nos outros ministérios, o que se vê é uma negociação política de ocupação dos espaços. Particularmente, entendo que não é o ideal, mas entendo que seja necessário para garantir a governabilidade junto ao Congresso. O que esperamos é que, aquele anúncio de nomear para estatais e para agências reguladoras pessoas técnicas, seja cumprido. Essa postura é fundamental. Infelizmente, nos ministérios teremos de conviver com essa ocupação política, mas os cargos técnicos deverão ser ocupados por profissionais altamente competentes.

P. Até onde vai esse apoio à gestão Temer? Há um prazo?

R. Esse é um grande apoio para a retomada do crescimento. Antes de apoiar partido A, B ou C, o que está se apoiando é uma retomada urgente e necessária para o crescimento econômico. Ninguém aguenta mais. Temos um desemprego crescente, as empresas sofrendo com falta de crédito, a imagem do país lá fora completamente prejudicada. Na verdade, não temos opção. Vamos apoiar e cobrar por medidas que sejam efetivas. Não é um apoio cego, é um apoio com cobranças. Não temos mais espaço para tentativa e erro. Temos de fazer o país andar para frente.



Estava na hora de mudar
Estava na hora de mudar  
Jairo Cândido é o presidente do Grupo Inbra, que atua na área Defesa.

Pergunta. Por qual razão o grupo que o senhor representa está dando apoio a esse Governo?

Resposta. Entendemos que temos de chegar a uma situação em que é preciso criar uma expectativa em relação ao Brasil. O principal ponto é esse. Os indícios são de que isso acontecerá. As medidas iniciais mostram que isso deve ocorrer. Ninguém faz milagre. Sem dinheiro não dá para fazer nada.

P. Nesse início de trabalho, uma das críticas que o Governo Temer tem recebido é de que ele deu atenção muito forte à equipe econômica, mas nas outras áreas não foram como essa. Como o senhor vê essas críticas?

R. Não concordo. Toda equipe tem de ter uma equipe de notáveis em determinada área. No nosso caso, com esse déficit nas contas públicas [previsão é de 170,5 bilhões de reais para este ano], era preciso se dedicar à área econômica, fundamentalmente. Sem contar o saneamento das empresas estatais, fundos de pensões, bancos de fomento. Tudo isso imaginamos que há uma crítica que dá essa notoriedade. Mas é fundamental que a classe política esteja compondo um Governo. Um Governo democrático não existe sem os políticos.

P. Até onde vai esse apoio à gestão Temer? Há um prazo?

R. As coisas do Brasil não estão colocadas em um espaço de tempo. Elas estão colocadas em resultado. E o resultado ainda que não seja completo ele acaba existindo dentro de um arcabouço. Esse arcabouço engloba a solução para o país, dentro de uma gestão de portas abertas, coisas dessa natureza, porque a visão que nós temos é de que se pode trabalhar juntos. O Governo não pode virar às portas para o outro lado. Não há dois lados da mesa, existe um lado só, todos nós temos de trabalhar juntos. Essa é a regra para o país ter sucesso.

 

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