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Educação

 

Sábado, 13 de Abril de 2019

Caso de racismo em escola no Rio termina com saída de aluna negra

Racismo na escola resultou em agressão física
Racismo na escola resultou em agressão física

A acusação de racismo e as tentativas da escola em amenizar a relação entre alunos brancos e a representante negra, única, na Escola Edem não terminou em um final aceitável - muito menos feliz. Os pais da aluna negra decidiram, depois de um ano letivo, retirar sua filha do colégio onde ela não era aceita por outros alunos brancos. Este ano, revelam os pais em carta enviada à direção da Escola Edem, em Laranjeiras, considerada uma escola progressista, a filha de oito anos chegou a sofrer agressão física. No ano passado, para tentar reduzir a hostilidade em torno da sua raça, foram feitas reuniões e encontros. Mas não adiantou.



Leia a carta dos pais da aluna e em seguida a carta da direção da Escola Edem:

Segue abaixo a carta que enviamos hoje à Escola Edem. Resolvemos compartilhar essa experiência com vocês pois acreditamos que possivelmente seja do interesse de todos. Aproveitamos para nos despedir desse grupo, desejando a todos nós um mundo mais preparado para lidar com as diferenças!

" Aos educadores e gestores da Escola Edem!



"Por mais de um ano nos vemos falando praticamente sozinhos sobre a necessidade de diversidade racial nessa instituição. E não falamos sobre isso apenas por ideologia, falamos por necessidade, por apostamos nessa escola para colaborar no processo educacional das nossas três filhas.

Porém, essa carta é um atestado de desistência! Nós estamos desistindo de manter a nossa filha nessa instituição.

Ano passado, 2018, na primeira confraternização da turma, entendemos que a diferença racial entre nossa filha e sua turma seria um desafio. Lá, vivemos a primeira situação... Ouvimos uma das crianças dizer a outra: "Deixa essa pretinha pra lá...". Única negra da turma! Esse é um título bem pesado. Mas não tememos desafios e acreditamos no crescimento e avanço da sociedade e das pessoas.

Porém antes mesmo do primeiro mês de aula, nossa filha mais velha já colecionava "inocentes" abordagens racistas: "Você é pobre? Deve ser! Você é marrom!"
Tivemos que ensinar nossa filha de 6 anos o que é discriminação, e que precisamos nos defender diariamente. Sem por isso odiar os diferentes!

Durante todo o ano alguns outros episódios ocorreram e nós mergulhamos em diversas tentativas de diálogo... Alertamos pais... Cobramos de professores... Criamos grupos... Provocamos reuniões... Tentamos sensibilizar gestores para providências práticas, e efetivas de combate ao racismo na escola. Sem efetivo sucesso!
Pouco avançamos, pouco dialogamos.... Nada transformamos!

Esse ano, 2019, não querendo expor ela a outra mudança de escola, mantivemos nossa filha na EDEM, na esperança de que seria diferente.

E realmente tem sido! As abordagens de racismo se ampliaram, se aprofundaram e tornaram-se mais cruéis. Algumas crianças da turma descobriram ser esse o "ponto fraco" dela, e passaram a utiliza-lo diariamente, sob o olhar de toda a equipe da instituição.

Todos os dias nas últimas duas semanas nossa filha tem sido agredida não apenas verbalmente, chegando a ocorrer episódios de violência física dentro do ambiente escolar.

Novamente tive que ensinar a minha filha, agora de 7 anos, que racismo é crime, e que é preciso berrar quando ele nos atinge. E ela procurou ajuda! Sem solução efetiva.

Mesmo com nosso esforço, o racismo institucional nos venceu! Esse é o fato. E estamos lidando com ele, da forma menos dolorosa possível, até porque tememos o carimbo do "mimimi". Tá claro que a dor é nossa, e que nós é que teremos que lidar com ela.

Nossa menina não quer mais pisar na escola, está arredia, chorosa, confusa, agressiva, ferida...
Não! Nós não caminhamos até aqui para aceitar esse lugar. Qualquer outro é melhor que esse.

Efetivamente não existe uma compreensão do tamanho do mal que estava sendo feito à nossa filha. O tamanho da ferida e a chance de curá-la!

Depois de tudo isso nós não acreditamos mais na capacidade de vocês de colaborarem na formação da nossa menina. Por isso estamos tirando a nossa filha dessa escola.
Esperamos de verdade que a passagem das nossas meninas pela Edem deixe alguma colaboração, ao menos uma reflexão.

Em nossa pequena com certeza ficarão marcas, por vezes dolorosas, mas que vamos trabalhar dia a dia para transformar em aprendizado, e força... Sem ódio!
Não somos os primeiros a desistir dessa escola por isso, já soubemos de alguns outros casos... Precisamos todos aceitar a necessidade de evoluir, aprender, desconstruir... Efetivamente não temos ainda educadores preparados para lidar com a questão racial... Alguns que sequer são capazes de perceber suas limitações... E quem não reconhece sua dificuldade dificilmente será capaz de superá-la.

Uma semente foi plantada... Saímos, mas deixamos hoje dois grupos de discussão construídos... Um coletivo de responsáveis por crianças pretas, e um coletivo aberto discutindo a falta de diversidade racial dessa escola. Eles ainda acreditam em vocês... Esperamos que não os desapontem...

Elisio e Renata"

Leia agora a carta da direção da escola



"Aos familiares dos alunos do 2º ano do Ensino Fundamental (Professora Elisa)
Recebemos ontem a carta enviada por vocês à Direção da EDEM a respeito da comunicada desistência da família de uma aluna na parceria com a escola, por alegado motivo de racismo. Procuramos respondê-la por escrito, para maior clareza das posições da escola, independentemente de, como foi solicitado, agendarmos um encontro para debate do assunto. Devido à repercussão do tema em questão junto à comunidade escolar, divulgamos a todas as famílias da EDEM esta carta-resposta.

Em primeiro lugar, queremos manifestar nossa tristeza e frustação com a saída da aluna em questão. Em todos os episódios que foram relatados pelos pais e/ou sinalizados pelos professores, as intervenções foram imediatas. A aluna e a família foram acolhidas em seus sofrimentos, e estratégias foram discutidas e implementadas. Não houve banalização, indiferença ou omissão por parte da equipe de professores, coordenadores e psicólogos quanto ao problema apresentado.

Em dezembro de 2018, fomos procurados por um grupo de pais que, a partir de um episódio ocorrido durante o Parangoledem - A Festa das Artes, percebeu que era necessária uma discussão com a Direção da EDEM sobre a questão do racismo.

A reunião, em que compareceram 11 pais e mães de famílias negras, foi extremamente proveitosa. Ficou claro para nós que, para além de oferecer um ambiente claramente antidiscriminatório de qualquer espécie e da defesa intransigente de valores humanitários, o racismo estrutural entranhado na sociedade brasileira exigia uma atitude mais ativamente antirracista.

A partir dessa premissa, formulamos alguns compromissos: 1º) Pautar, para 2019, o tema do racismo, suas origens, seus efeitos e seu combate, nos grupos de estudos permanentes que desenvolvemos com a equipe, contando, para isso, com a contribuição dos membros do grupo de pais e mães já engajados em ações políticas e estudos étnico-raciais. Esses estudos, num primeiro momento, seriam levados especialmente aos professores da Educação Infantil e Ensino Fundamental I, uma vez que, a partir do 6º ano, com a entrada em cena de professores especialistas em história, geopolítica, biologia, sociologia, filosofia e também com o amadurecimento da capacidade analítica dos alunos, já se desenvolve um trabalho curricular de compreensão das raízes e da estruturação da sociedade brasileira. 2º) Abrir espaço para discussão do tema também entre as famílias e toda comunidade EDEM.

Após discussão no Conselho de Direção, com as coordenações dos segmentos, enviamos em março deste ano, 2019, uma proposta de trabalho com 2 reuniões por segmento e uma mesa especial denominada provisoriamente de "Movimentos sociais e currículo escolar", a ser realizada no Seminário comemorativo dos 50 anos da EDEM. Recebemos uma resposta positiva de participação do grupo nesses eventos, mas foi lembrada a necessidade de abrir um fórum de discussão mais amplo dirigido às famílias e funcionários. Sendo assim, a primeira reunião desse fórum também acontecerá em breve.

Na carta que vocês nos enviaram muito nos alegra o reconhecimento explícito do compromisso da EDEM na construção de uma sociedade mais solidária e na formação crítica e cidadã dos nossos alunos.

De fato, muito nos orgulha, na formatura do 9º ano e especialmente na formatura do Ensino Médio, verificar que conseguimos, sim, formar jovens que não compactuam com qualquer forma de discriminação, que respeitam a diversidade cultural e defendem direitos iguais a todos os seres humanos.

Neste momento tão difícil que vivemos hoje no Brasil (e também em vários outros países), em que recrudescem de forma violenta movimentos racistas, homofóbicos, machistas, de intolerância religiosa, temos que nos unir e nos posicionar de forma ainda mais combativa.

Estamos juntos, famílias e escola, nessa luta que nos fortalece contra as ações já em andamento que ameaçam projetos político-pedagógicos como o da EDEM. A educação brasileira está sendo objeto de um esvaziamento de pensamento e crítica e já assistimos em várias instituições educacionais e culturais como a liberdade de expressão e o debate de ideias vem sendo cerceados.
Precisamos sim fortalecer todos os movimentos e espaços de luta e resistência em defesa de nossos valores.

Quanto à reunião solicitada, sugerimos que o grupo de familiares do 2º ano participe do fórum de discussão sobre questões étnico-raciais que acontecerá em breve e será planejado pela Direção em conjunto com o grupo de mães e pais de famílias negras da EDEM.

Agradecemos a parceria e nos comprometemos a manter vivo o diálogo.

Cordialmente,

A Direção"

 

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Caso de racismo em escola no Rio termina com saída de aluna negra
 

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