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Economia

 

Domingo, 03 de Julho de 2016

Feijão preto na era Temer chega a R$ 12 e vira joia rara

Da Redação

Feijão virou uma joia rara
Feijão virou uma joia rara

O feijão preto, quem diria, virou objeto de desejo da classe média. O motivo? O preço disparou nos últimos dias de maneira coincidente com a posse do presidente interino, Michel Temer. Sem que a velha mídia queira ou possa atribuir-lhe alguma responsabilidade, o que se diz por aí que o problema foi a quebra da safra - algo relacionado a fenômenos atmosféricos e a bolsa de mercado futuro. Mas se todo este blablablá não serve para nada, afinal conversa mole e desculpa não se coloca na panela, o que se vê por aí é imagens como a enviada acima para Conexão Jornalismo, onde a ironia ganha o lugar do feijão. Mas isso não é tudo. Um ativista contra o agronegócio garante que tudo é culpa deste ramo empresarial que cada vez se preocupa menos em produzir alimento barato.



O feijão, durante o governo Dilma, era comprado a R$ 3 ou R$ 5 dependendo da marca. Mas havia sinais de que poderia ter uma elevação de preços. Hoje ele sai no mínimo a R$ 12.

Mas não se espante: os próximos grãos a chegarem à sua mesa estarão vindo da Argentina. Nossa importação, por ordem de Temer, aumentou 146%. Isso mesmo: o Brasil vai importar feijão. E não é só de lá. A China também começa a enviar o produto para o país. No Oriente o feijão é praticamente plantado para exportação - já que o chinês não o incluiu na sua dieta alimentar. O governo brasileiro zerou o imposto de importação para estimular a compra do produto de outros países e reduzir o preço nas prateleiras dos supermercados.

Quando houve aumento semelhante sobre o tomate no governo Dilma, muita gente há de lembrar, a velha mídia culpou a presidenta. Questões como quebra da safra ou falta de chuvas foram ignorados. A apresentadora Ana Maria Braga chegou a fazer um colar de tomate para atacar a presidenta e provocar desgaste. Mas quando o assunto é o interino....



Leia agora: O golpe ruralista e o preço do feijão




Por Alan Tygel

Do Brasil De Fato

Na última semana, fomos bombardeados pelas notícias sobre a alta no preço do feijão. O povo, chocado em ver o quilo passando de R$10, ouviu as mais diversas explicações dos analistas: geada e muita chuva no sul, falta de chuva em outras regiões, e até o boato de que uma pequena doação para Cuba feita em outubro de 2015 teria sido a causa da escassez. A solução mágica apresentada pelo ministro interino da agricultura, o Rei da Soja, foi zerar a taxa de importação para facilitar a entrada de feijão estrangeiro.

O que estranhamente não saiu em lugar nenhum foi um elemento muito simples: o agronegócio brasileiro não se preocupa em produzir alimentos para o Brasil. E isso fica muito claro quando olhamos a mudança na utilização das terras no país. Nos últimos 25 anos, houve uma diminuição profunda na área destinada à plantação dos alimentos básicos do nosso cardápio. A área de produção de arroz reduziu 44% (quase metade a menos), e a mandioca recuou 20%.

A área plantada com feijão, o vilão do momento, diminuiu 36% desde 1990, enquanto a população aumentou 41%. Apesar de ter havido um aumento na produtividade, a diminuição da área deixa a colheita mais vulnerável e suscetível a variações como estamos vendo agora.


E o agronegócio?

Os grandes latifundiários do Brasil, aliados aos políticos da bancada ruralista, à multinacionais de agrotóxicos e sementes como Bayer, Monsanto e Basf, e às empresas que dominam a comunicação no país não estão preocupadas com a alimentação da população. Este atores compõem o chamado agronegócio, que domina a produção agrícola no Brasil, e vê o campo apenas como local para aumentar suas riquezas.

Isso significa, na prática, produzir soja e milho para alimentar gado na Europa e na China, enquanto precisamos recorrer à importação de arroz, feijão e até do próprio milho para as festas de São João. Exportamos milho, e agora precisamos importar o milho. Faz sentido?

No mesmo período em que a área plantada de arroz e feijão caiu 44% e 36%, respectivamente, a área de soja aumentou 161%, enquanto o milho aumentou 31% e a cana, 142%. Somados os três produtos, temos 72% da área agricultável do Brasil com apenas 3 culturas. São 57 milhões de hectares que ignoram a cultura alimentar e a diversidade nutricional do nosso país em favor de um modelo de monocultura, que só funciona com muito fertilizante químico, semente modificada e veneno, muito veneno.

No caso da cana e da soja, é fácil entender que não são alimentos, e sim mercadorias ou (commodities) que vão ser comercializadas nas bolsas de valores pelo mundo. No caso do milho, basta ver que em 2015 foram exportados 30 milhões de toneladas de milho, em relação direta com a alta do dólar. Com o preço da moeda americana em alta, vale mais à pena exportar do que vender aqui. Assim, o que sobra no Brasil não é suficiente para o nosso consumo, e por isso temos que importar, o que também irá pressionar o preço. Hoje é o feijão, logo logo será o milho que vai explodir de preço.

Outro aspecto importante é analisar que quem bota o feijão na mesa do povo é a agricultura familiar. Os dados ainda de 2006 mostram que 80% da área plantada de feijão (e 70% a produção) são da agricultura familiar. E esta agricultura não tem espaço no reino do agronegócio.

O agronegócio ameaça a soberania alimentar no Brasil. Ao deixar de plantar comida para plantar mercadorias, ficamos extremamente dependentes do mercado externo, e vulneráveis às mudanças climáticas.

O primeiro passo: reforma agrária para dar terra a quem quer plantar comida. Com a terra na mão, precisamos de incentivo à agroecologia, para produzir alimentos saudáveis. Finalmente, essa produção deve ser regulada pelo Estado, via Conab, para garantir o abastecimento interno antes de embarcar tudo para fora.

O governo interino já admite privatizar a Conab, e pode em breve aprovar leis que facilitam ainda mais o uso de agrotóxicos e o uso de pulverização aérea nas cidades.

É, de fato, também um Golpe Ruralista.

♦ Alan Tygel é membro da campanha "Contra os agrotóxicos e pela vida"

 

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