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Terça-feira, 04 de Fevereiro de 2020

Fotossíntese: a segunda sitenovela de Francis Ivanovich

A narrativa é a alma da arte. Esteja ela em forma de quadro, barro, vinil ou papel. E para um diretor de cinema e teatro, jornalista por formação e em pleno estudo da psiquê humana, ela chega também em forma de novela. Francis Ivanovich se aventura agora numa trama semanal que tenta desvendar os mistérios de um escritor atormentado pela narrativa que o habita, mas principalmente habita também o mundo ao redor.



Por Francis Ivanovich

Em seu pequeno quarto, sentado na cama, comprada do último proprietário onde ele morara, tentava escrever algo que realmente considerasse relevante como obra. Encarando a tela em branco, ouvia os sons da tempestade que cobriam a noite e sempre que isso ocorria, desde menino, a angústia o oprimia ainda mais. Anos após anos esse embate angustiante que travava com o papel em branco na tentativa de uma carreira como escritor. Tinha a consciência de que jamais produziria uma obra à altura de um Kafka, mas queria, se fosse possível, deixar um livro que prestasse, antes de morrer. Apenas um livro.

Dizia para si. Há exatos 10 anos publicara a primeira novela. Uma tiragem pequena, mal impressa por uma editora medíocre. O que o consolava é que não tivera de pagar para publica-la, um costume vergonhoso praticado por editoras disfarçadas de gráfica, e até conseguira vender uns 200 exemplares. O livro, praticamente ignorado, colhera alguns comentários, mas nada significativo que o empurrasse adiante.

Ele, por vezes, quando acordava menos desgostoso, a considerava boa novela, com alguma qualidade literária, mas outras vezes, quando dormia mal, tinha sobre ela um conceito de algo bem menor. Na gaveta várias ideias, livros incompletos, histórias interrompidas. Sobre os papéis um pequeno exemplar de A Metamorfose. O livro fora colocado ali de propósito, não como peso de papel, mas fazendo-o refletir sobre aquele livro de apenas 110 páginas muito bem escritas.

Neste link, a primeira sitenovela de Francis Ivanovich


Um livro que tornara-se realmente relevante neste mundo de tantas irrelevâncias. O primeiro parágrafo sempre o impressionara: Certa manhã, depois de despertar de sonhos conturbados, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Ele ficava abismado com a simplicidade que resumia toda a história em penas três linhas. Fechava a gaveta e dizia para si, desanimado: você não tem essa capacidade.

O que também o deixava com a alma perturbada era deparar-se nas livrarias com editoras-autores contemporâneos que conseguiam enganar as pessoas com boa publicidade. Certa tarde, refugiou-se da chuva numa livraria no centro da cidade, e sentou-se com um recente lançamento nas mãos de um dos mais conhecidos escritores, uma espécie de pop star das letras. Correu os olhos sobre as páginas, impressionado com o nada a dizer, um quase diário de alguém que goza uma vida de pequeno burguês entediado neste país miserável.

O livro lindamente impresso, bem exposto na livraria, que garantiria ao autor mais dias de vistas para o mar, era asqueroso. Não era inveja o que ele sentia, mesmo que sua vida fosse quase miserável, mas desprezo, um desprezo até juvenil, por conta de todo o jogo, de toda a imundice, de toda a mentira. Ele sabia reconhecer perfeitamente um escritor de verdade. Geralmente esses escritores são como fantasmas de carne e osso, transitando pelas ruas entre os vivos que anseiam por novidades fúteis, que não as faça pensar nem sentir, mas ter um orgasmo, um simples e entorpecedor orgasmo.

Isso o oprimia. Olhou a hora na tela do computador. A chuva deixara de ser ópera e tornara-se um solo de goteiras. Sentia fome. Fez café na cafeteira elétrica. Sentou-se diante da pequenina mesa de madeira e cortou uma fatia de pão. A lâmina abriu uma ferida em seu indicador esquerdo, que ele usava para digitar, em vez de sangue, uma líquido branco emergiu do corte. Não tinha cheiro de sangue o líquido viscoso, como água oxigenada que ferve sobre a infecção. Ficou admirado e em pouco tempo bem assustado. A fome desapareceu. Não conseguiu dormir, e muito menos escrever.

 

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