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Cultura - Radionovela

 

Sábado, 21 de Março de 2020

Confinados 3: Uma novela de Francis Ivanovich

O confinamento quebrado
O confinamento quebrado

O amor pode brotar em tempos de coronavírus? Mas entre moradores que praticamente não se viram, falaram ou tocaram? Francis Ivanovich entra em um edifício de Copacabana e, discretamente, invade dois apartamentos colados parede com parede. Ali residem Ele e Ela. Houve, no passado, uma tentativa de aproximação. O tempo passou e o coronavírus pode ser a última chance de que algo além do silêncio quebre a rotina. Este é o terceiro capítulo da novela do escritor, roteirista, diretor de cinema e teatro, Francis Ivanovich.



Leia os capítulos anteriores

Capítulo 1
Capítulo 2 -


Ele não teve tempo para interfonar para a vizinha de parede. O seu interfone tocou primeiro, fazendo o seu coração disparar. Ao atender, ouviu uma voz de mulher.

- Foi você quem interfonou para o meu apartamento? - Perguntou ela, fingindo calma.
- Sim, fui eu. Desculpe... Eu...
- Eu tenho agulha! - Disse ela, disposta ao diálogo.
- Agulha?! Ah! Sim! Agulha! Agulha... Que bom que você gosta de vinil?
- O que?!
- Vinil! Disco de vinil... - Ele não sabia de onde viera a ideia do vinil. Sua cabeça parecia um ser autônomo, que esquecera-se dele. Talvez as palavras inusitadas saltassem da sua astúcia de jovem advogado com pretensões a juiz.

- Não entendi. - Confessou ela, confusa, enquanto ele agora assumia a nova mentira, lutando para que o cérebro trabalhasse outra vez a seu favor.
- Eu gosto de ouvir música em disco de vinil. A agulha era para o meu aparelho de som. Quebrou.

A frase foi dita com segurança, tal qual ele fazia quando estava diante de um advogado opositor. Era uma mentira digna de prisão. Ele nunca tivera um disco de vinil sequer em casa. Mal ouvia música. Seu irmão mais velho sim. Colecionador incurável, que sempre dizia que a qualidade das gravações em vinil superava todos os outros meios de reprodução sonora.

- Só ouço música no Spotify. - Contou ela, agora interessada na conversa que estava fazia falta aos seus sentidos afetados pelo confinamento.
- Qual é o seu nome? - Perguntou ela curiosa.
- Aurélio. E o seu? - Ele agora estava mais animado.
- Marisa.
- Lindo nome! O mesmo nome da cantora portuguesa!
- Não conheço.
- Maravilhosa. Meu irmão me levou num show dela. Acredita que ela canta samba sem sotaque português?!
- Jura? Vou pesquisar! Eu também gosto muito música? Você é músico?
- Quem dera! Sou advogado. E você?
- Professora de espanhol.
- Interessante. Hablo nada! Lembrei daquela propaganda que passava na TV?
- Qual?
- Aquela do curso de idiomas. Tem uma cena que a mulher diz para a amiga que passou maior vergonha na Espanha, ao dizer pro garçom que estava embaraçada. Embaraçada em espanhol significa estar grávida, você sabe!

Ao ouvir isto, Marisa soltou uma estrondosa gargalhada! Quase histérica. Explodindo no ouvido de Aurélio. Como se todos os risos e choros acumulados durante o confinamento jorrassem dela como lava de vulcão. A gargalhada inundou todo o apartamento e ecoou pela janela, escorregando para o vão que separa o outro bloco de apartamentos. De repente, alguém próximo, no outro bloco de apartamentos, também deu uma grande gargalhada! Era como se a pessoa fosse um mico-estrela pendurado numa árvore, que ao ouvir o chamado, enviasse resposta para o seu bando. Depois surgiu uma terceira gargalhada como resposta. Em seguida a quarta, a quinta, sexta... Um coro bizarro de gargalhadas forçadas e histéricas tomaram todo o condomínio, a rua, o bairro...

Marisa e Aurélio não conseguiram mais falar, também foram contaminados pela catarse. Era um reflexo evidente dos efeitos do confinamento no comportamento das pessoas. Antes de entregar-se à catarse, Aurélio teve a coragem de dizer a Marisa:

- Nunca esqueci você vestida de vermelho!
- Eu detesto vermelho! - respondeu ela gargalhando como louca, saltando como símia com o interfone nas mãos.

(Amanhã conto sobre um outro casal confinado. Eles moram numa pequena casa de vila, lá na Tijuca, Zona Norte do Rio)

 

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Confinados 3: Uma novela de Francis Ivanovich
 

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