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Terça-feira, 21 de Janeiro de 2020

Teatro: Frida Kahlo, a deusa Tehuana: manifesto pela liberdade e afeto

Monólogo livremente inspirado no diário e na obra de Frida Kahlo. Fragmentos da vida e do pensamento de uma mulher à frente de seu tempo. A peça abre com o prólogo de Dolores Olmedo Patiño, marchand que possui a maior coleção de Frida e Diego no mundo. Responsável por preservar e difundir o acervo do casal. Dolores e Frida nunca foram amigas, duas mulheres apaixonadas pelo mesmo homem - uma, colecionadora de arte; outra, a expressão da própria arte.



Por Francis Ivanovich*

Fotos: Renato Mangolin

"A atriz Rose Germano há seis anos dá vida à personagem mítica da cultura universal nos palcos brasileiros, com o espetáculo Frida Kahlo: A deusa Tehuana, que está em cartaz no Maison de France, Centro do Rio, até 16 de fevereiro.

A atuação de Rose Germano é um profundo mergulho na alma de Frida, executada com verdade e competência, sem se perder nos perigos que um monólogo sempre impõe a um artista do palco. Rose demonstra uma coragem que emociona, uma entrega que nos desperta da apatia em tempos de mentiras, frieza e conformismo. Estamos diante de uma obra que naturalmente converteu-se num ato político.

O espetáculo dirigido por Luiz Antônio Rocha, o qual considero um dos seus melhores trabalhos de direção, possui sutileza, síntese e precisão, criando um movimento crescente de envolvimento do público com a cena. Trata-se de um espetáculo que não vemos com frequência nos palcos brasileiros. A nudez em cena da potente atriz é poética, nos remetendo a uma tela renascentista. Um desnudar de Frida-atriz-cidadã, numa simbiose que ultrapassa o recurso da transição de cena, o efeito, rasgando as máscaras e as fantasias de um país violentado pelo poder que visa destruir as garantias da liberdade de expressão e a democracia.

A luz de Aurélio De Simoni, um dos grandes nomes da iluminação teatral brasileira, é pautada pela correta dramaticidade, exata, com destaque para o momento em que nos vemos diante o mito Fida Kahlo, como uma deusa, desmaterializando-se ao futuro, numa espécie de ritual quase religioso.



O cenário e figurino de Eduardo Albini demonstram coerência, plasticidade e harmonia, executados por alguém que tem nítida intimidade com as artes visuais, em especial a pintura. A presença em cena, em alguns momentos, do músico Eduardo Torres, executando o violão, é sutil e confere à cena um brilho especial, numa sonoridade poética elegante.

O texto escrito por Luiz Antonio Rocha e Rose Germano, baseado nos diários da artista mexicana, que inclui uma viagem dos autores ao México para a pesquisa, é excelente. Sua carpintaria é equilibrada entre a narrativa sobre passagens das dores de Frida e a poesia, sem ser biográfico ou meramente emocional.





Este espetáculo me faz recordar as palavras do dramaturgo alemão Bertold Brecht sobre o analfabeto político. Aquele que não ouve, não fala, não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do aluguel, do remédio, e que ele é burro. O analfabeto político - peço licença a Brecht, com todo o respeito - além de burro, pode se tornar um instrumento fascista. Muitas vezes com um coração cheio de boas intenções, ele acaba por se tornar o alicerce de regimes terríveis, como ocorreu no Nazismo.

O desconforto dos que não sabem lidar com a liberdade é notória quando Frida-Rose lê uma carta destinada ao presidente do México, reclamando sobre terem coberto um mural de Diego Rivera; ou quando Frida-Rose dialoga diretamente com a plateia, rompendo a antiquada quarta parede, ao explicar uma de suas obras.

Frida Kahlo: A deusa Tehuana é um espetáculo autêntico, original, e sobretudo, político, sem ser panfletário. Ele nos alerta que o fascismo, o autoritarismo, o falso moralismo são doenças perigosas que vão penetrando vagarosamente pelas veias e artérias da vida e das almas, capaz de necrosar as liberdades individuais e coletivas. E que o amor é um caminho doloroso que vale a pena. A peça é um manifesto pela liberdade e afeto. Liberdade México! Liberdade Brasil!"


* Jornalista, Dramaturgo e Cineasta.

Serviço

A peça estará em cartaz até 16 de Fevereiro

Teatro Maison de France
Frida Kahlo a Deusa Tehuana
De Sexta à Domingo as 19h.
Há seis anos em cartaz
Direção:
Luiz Antonio Rocha
Atuação: Rose Germano
Cenário, figurino e direção de arte: Eduardo Albini
Luz: Aurelio de Simone Direção de Movimento: Norberto Presta
Fotos: Renato Mangolin
Violão: Eduardo Torres. Produção: Sandro Rabello - Diga Sim Produção. Assessoria de Imprensa: Raquel Almeida - Racca Produção.

 

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