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Terça-feira, 10 de Março de 2020

O abraço do Dráuzio e os protestantes

Reprodução da TV: o abraço que gera polêmica
Reprodução da TV: o abraço que gera polêmica
Por Fábio Lau*

A turma cai de pau em Dráuzio Varela, o médico do Fantástico, por conta do abraço que deu em uma mulher trans condenada por cometer crime grave: estupro de menor com resultado morte.

Até o momento em que escrevo estas linhas pairam dúvidas sobre se de fato o crime atribuído foi este - afinal, há quem diga que seria um homônimo.



Drauzio Varela fez uma visita ao presídio para retratar casos de abandonos. Ninguém é mais abandonado por parentes e amigos do que delinquentes. O fato é que, se erro houve, partiu da direção do Fantástico ao não revelar o delito aos telespectadores. Caberia a eles manifestarem ou não empatia.

A exploração que tenta se fazer sobre o caso se prende a este particular: as pessoas teriam sido induzidas a acreditar que o preso tivesse cometido um crime menor.

Abandono



No início da profissão de jornalista fiz uma reportagem sobre o tema no Manicômio Judiciário do Rio. A maioria ali confinada havia cometido crime contra a vida, especialmente morte, além de ser apresentada como "louca" pela sociedade.

Imagina parentes se programarem para visitar um ente que foi condenado por matar um outro ente e que era chamado como louco - daí a ser inimputável!

Mas o que precisa ficar claro é que o inimputável é condenado ao isolamento e tratamento e distanciado da sociedade e núcleo familiar. Sem esta proximidade terapêutica, que é a convivência social, ele jamais receberá alta. Em outras palavras podemos afirmar que ele está submetido à prisão perpétua. E isso é fato.

Drauzio é um cidadão responsável e dedicou a vida ao convívio com presos. E foi assim que ganhou notoriedade. Pela sua experiência sabia que não encontraria nas celas casos leves. Especialmente a história da trans que estava há oito anos sem visita. Daí a ter pedido um abraço - ou oferecido seu abraço. O que dá quase no mesmo.

É bonito e raro o ato da quebra do preconceito. E manifestar solidariedade a quem está numa situação inferior, subjugado pela Justiça e sociedade, é algo nobre. O contrário, não. Atirar pedras em quem já está penando é quase uma regra.

Mas é importante frisar que prestar solidariedade não significa absolver o delito praticado, sua gravidade e tampouco se contrapor a uma pena aplicada.

Ao longo da vida profissional conheci criminosos com um comportamento nobre: que lutava pelos direitos dos presos ou fazia greve para que as famílias fossem tratadas com dignidade na prisão.

Muitos usaram o tempo de cárcere para ensinar noções básicas de português, matemática, literatura e ate religião.

E ao mesmo tempo conheci religiosos egoístas e elitistas que não pensavam além de si mesmo ou dos que poderiam beneficiar as igrejas às quais estavam vinculados.

O que Dráuzio fez não foi diminuir a dor da família do menor violentado pelo criminoso, mas estender as mãos a alguém que não podemos acusar de estar impune.

Pude conviver com Dráuzio Varela por um tempo razoável enquanto trabalhei no Fantástico.

E posso assegurar que não surpreende ele manifestar solidariedade a quem sofre.

Assim fazer os homens bons.

Uma carta publicada hoje pela mulher trans onde admite o crime e diz que está pagando por ele:

 

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