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Cultura - Novas Mídias

 

Segunda-feira, 13 de Julho de 2020

Argentina Conexão Brasil: Pulistana instala centro de estudos da MPB em Buenos Aires

Júlia: Centro da Música já requer sede física
Júlia: Centro da Música já requer sede física

Argentina Conexão Brasil conversa com a paulistana Júlia Cavalcante. Graduada em Educação Musical pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO - que além de cantar, executar clarinete e dominar a percussão, é pesquisadora da música brasileira e latinoamericana e fundadora do Centro de Estudos da Música Brasileira - CEMBRA - na cidade de Buenos Aires.



O CEMBRA cresce a cada ano e começa a exigir a criação de uma sede física, já que funciona virtualmente e em espaços culturais parceiros. Júlia é a fundadora do Bloco Carnavalesco Cordão de Prata que a cada carnaval atrai mais foliões, em 2020 foram mais de mil a percorrer as ruas portenhas. Nesta entrevista, Júlia fala sobre o esforço do projeto "De Visita" que tenta facilitar a ida de músicos brasileiros que queiram se apresentar na Argentina, e sobre o CEMBRA Awards, um ranking dos 10 melhores discos da música brasileira independente lançados em 2019.

Para Júlia, o governo de Alberto Fernández valoriza o setor cultural, acadêmico e intelectual, muito mais do que o governo anterior. Segundo a entrevistada, a Argentina teve um cuidado com a memória histórica que, mesmo que haja um oscilação entre governos melhores e piores, impeça que coisas absurdas aconteçam, como ter um Bolsonaro na presidência. Julia é a prova de que viver fora das fronteiras brasileiras não significa negar o Brasil, mas representar também a possibilidade de mostrar o que ele tem de melhor. Sem dúvida ela realiza um importante trabalho em prol da música e da cultura do Brasil.

Por Francis Ivanovich*

Como é a sua história com Buenos Aires?

Julia Cavalcante - Eu sou paulista, mas fiz faculdade de música Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO. Morei no Rio por sete anos. O meu núcleo social era muito diverso, com gente de toda a América Latina e também da Espanha. Como eu era fora do Rio, eu fiz mais amigos de fora do que na cidade, tinham alguns cariocas. Nesse contexto eu aprendi muito espanhol, foi quando eu aprendi falar fluentemente espanhol. Fiz muita amizade com argentinos, chilenos, etc. E quando eu terminei a faculdade o meu desejo era fazer uma viagem por toda a América Latina. Muitos desses amigos já tinham voltado para seus países. Eu tinha nesses países hospedagem, casa pra ficar. Mas no final das contas eu não tinha dinheiro suficiente para fazer a viagem. Acabei vindo pra Argentina. Eu estava decidindo se voltava pra São Paulo ou morava em outro país. Eu pensava que seu eu voltasse para São Paulo ia ser mais difícil de ir para outro lugar. Vim para Buenos Aires, pra sentir. Passar três meses aqui. Aluguei minha casa no Rio. E acabou que eu me apaixonei pela cidade. Somado ao desejo que eu sempre tive de ter a experiência de morar em outro país. Depois voltei para o Brasil, vendi tudo e vim para Buenos Aires, sem muito planejamento. Sem saber exatamente o que eu ia fazer aqui. Sem saber quanto tempo eu ia ficar aqui. A minha ideia era ficar um tempo. Estar numa nova cultura. O interessante de Buenos Aires é que aqui há gente da América Latina inteira. Um lugar muito diverso, que você tem contato com a cultura latino-americana. Eu queria me aproximar. No Brasil isso é mais complicado. A gente está um pouco isolado dessa cultura. Aqui há artistas que são famosos em toda a América Latina e Central e que lotam um estádio, e no Brasil não lotariam uma sala. Isso é engraçado. Vim e fiquei. Acabei entrando num relacionamento pessoal, quando morei por esse meu ex-companheiro por vários anos, até que me separei. E foi durante esse processo que eu fundei o Centro de Estudos da Música Brasileira - CEMBRA.

Fale do CEMBRA.

Julia Cavalcante - O CEMBRA surgiu no segundo semestre de 2016. A ideia foi reunir num projeto -mãe todos os projetos que eu vinha desenvolvendo relacionados à música brasileira. As aulas que eu dava. Na época eu regia um coro de música brasileira, dava aula de clarinete. Nesse período, eu tive a ideia de fundar um bloco de carnaval, convidei alguns amigos próximos, mas como ninguém sabia tocar nada, eu comeceu a dar aula de percussão. Aí eu tive a ideia de reunir tudo o que vinha fazendo relacionado à música brasileira, colocar numa página e dar o nome, CEMBRA. Isso foi crescendo, foram nascendo novos projetos. Hoje a gente tem o bloco Cordão de Prata, que desfilou pela primeira vez no carnaval de 2017; depois do carnaval houve uma procura muito grande por aulas de percussão, que passaram a ser permanentes; surgiu um ciclo de cinema sobre música brasileira, tanto ficção como documentário; surgiu o projeto "De Visita"que facilita a vinda de artistas brasileiros para cá. Como não temos subsídios, ainda, tudo são sonhos, a gente facilita a vinda, muitos artistas já vieram, entraram em contato com a gente. Temos aqui um público cativo, nossa página no Facebook tem quase três mil seguidores, no Instagram mais de mil. A gente tem um público que gosta de música brasileira. A gente tem parceria com várias salas, com tamanhos diferentes para diferentes formatos de concertos e shows. A gente facilita o artista, por vezes ele já está em turnê, está passando pelo Uruguai ou pelo Sul do Brasil. A gente consegue as vezes levar o artista para La Plata, para Rosário, Córdoba. A gente facilita o artista. Já vieram artistas como a cantora e compositora Bel Baroni, e o Choro da Glória, do Rio, a cantora Mariana Degani, de São Paulo. Vários artistas já vieram pelo projeto "De Visita". Outro projeto, são os seminários pontuais de música brasileira. Há também aulas de violão brasileiro, cavaquinho, pandeiro, dados por colegas meus através do CEMBRA. E vários projetos que estão engavetados, porque a gente ainda não tem um espaço físico. A gente ocupa outros espaços em centros culturais amigos, em parceria, como Batacazo Cultural, em Almagro.

Os objetivos do CEMBRA e principais projetos?

Julia Cavalcante - Este ano de 2020 a gente tinha o objetivo de formalizar o CEMBRA. Isso ia nos facilita muito para entrar em editais, organizar um festival, mas com a pandemia isso ficou estacionado. A gente tá estudando a melhor forma de formalizar o CEMBRA, associação civil ou cooperativa. Com certeza hoje o projeto carro-chefe do CEMBRA é o bloco carnavalesco Cordão de Prata. Que cresceu muito nesses últimos quatro anos. No primeiro desfile havia 100 pessoas amigas desfilando, no carnaval de 2020, foram mais de mil pessoas nas ruas. Hoje o bloco tem uma banda composta por músicos profissionais, e uma bateria com 30 ritmistas, esses são todos alunos meus. Temos duas cantoras, vários instrumentos, cresceu muito. Hoje desfilamos com autorização, com tudo certo. A banda sobre um caminhão. Esse projeto promoveu mais estabilidade e crescimento do CEMBRA. Em seguida vem o projeto "De Visita", que facilita a vinda de artistas brasileiro, que eu já falei; o projeto educacional de instrumentos, que é ensinado com a linguagem brasileira; e o projeto que surgiu este ano que é o CEMBRA Awards, que é um ranking dos 10 melhores discos lançados no ano anterior de música brasileira. É um projeto digital que surgiu antes do coronavírus. Durou quase dois meses, 100% realizado no Instagram e no Spotify, por causa da quarentena. Durante seis sextas feiras seguidas a gente convidou artistas de vários lugares do Brasil, Rio, Minas Gerais, São Paulo. Fizemos um live com o artista convidado, ele contava um pouco da sua vida, tocava algumas músicas e indicava cinco discos. No final, a gente teve 30 discos indicados que poderiam ser votados pelo público. O público escolheu 12 discos, e desses, a curadoria do CEMBRA escolheu os 10 melhores discos lançados em 2019. Foram vários os critérios como arranjo, produção musical, etc. Foi um projeto de muito êxito. De muita movimentação. O mais legal foi que ao final do projeto, a gente viu que tinha produzido um verdadeiro catálogo com o que vem sendo produzido na linguagem musical brasileira hoje. Hoje no Spotify do CEMBRA você encontra seis playlists com todas as músicas indicadas, e no Instagram todas as capas dos discos.

A expectativa para a atual Argentina após a pandemia?

Julia Cavalcante - A Argentina vem de uma crise muito profunda, a profundada no governo de Maurício Macri. Este é o primeiro ano do governo de Alberto Fernández, que ainda não teve condições de governar, porque de cara está tendo de administrar esta pandemia. A gente não sabe se a pandemia acaba em 2021, ou termina em 2020. A perspectiva é de uma Argentina bastante abatida economicamente, a pandemia agrava isso. Apesar do governo de Alberto Fernández estar lidando de uma maneira muito séria e assertiva com a pandemia. Com relação à saúde pública nós estamos bem. temos um número baixo de mortos, se comparado a outros países da América Latina. Não tem como a quarentena não abalar economicamente qualquer país. Vai ser um desafio muito grande para este governo. Isso não é projeto para 4 ou 8 anos. Isso é para longo prazo. Isso se nesse ínterim não surgir um outro governo que destrua a economia argentina. Os governos oscilam. Isso atinge muito o setor cultural, apesar de que este governo valoriza o setor cultural, acadêmico e intelectual, muito mais do que o governo anterior. Entendo a importância desses setores na sociedade. Ainda que tenhamos uma economia muito abatida, quase destruída, o investimento em cultura é possível que aumente, pelo menos as políticas públicas de apoio às instituições culturais. Acho que isso pode acontecer. Mesmo que a gente não possa contar com o dinheiro, mas por meio de legislação, políticas públicas. Algum tipo de apoio a gente vai ter.

Como você sente o Brasil e a Argentina, de modo geral, no seu coração?

Julia Cavalcante - O Brasil é o meu país do coração. Uma cultura pela qual eu sou apaixonada. Eu trabalho com a cultura brasileira, estou o tempo todo me relacionando com ela. Fazendo meu trabalho de difundir a nossa música e acultura brasileira. Um trabalho não só de difusão, mas também de educação, de formação de público. Por exemplo, o de educar sobre o carnaval brasileiro, o argentino tem uma visão muito estereotipada do nosso carnaval. O Brasil está numa crise muito grande. Me dá tristeza ver na mão de quem está o Brasil, por quem está sendo governado. Mas tenho esperança de que tudo isso seja superado, seja uma fase. O Brasil é um país muito rico culturalmente, e em muitos aspectos. A Argentina é um lugar onde você pode ter uma qualidade de vida incrível, apesar da crise econômica. A cidade de Buenos Aires tem uma qualidade de vida que eu não encontrei em São Paulo e no Rio, cidades que eu morei. E a Argentina tem uma coisa que é muito particular, que é uma clareza - eu não gosto de usar a expressão consciência política - acho que tem uma clareza. Acho que a Argentina teve um cuidado com a memória histórica que, mesmo que haja um oscilação entre governos melhores e piores, impeça que coisas absurdas aconteçam como ter um Bolsonaro na presidência. Esse governo que está no Brasil aqui não seria possível. Essa clareza dá um conforto, pois a sociedade civil e a militância fiquem atentas ao que acontece politicamente no país. A Argentina foi o lugar onde aumentou muito minha consciência sobre gênero e o empoderamento feminino. A Argentina te dá essa educação política.

* Francis Ivanovich é jornalista, autor e diretor de teatro e cinema.

 

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