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Quinta-feira, 06 de Junho de 2019

Os Dias de Dostô IV



O diretor de cinema, teatro, ator e roteirista Francis Ivanovich decidiu retomar uma arte comum aos ensaístas dos séculos XIX e XX, entre eles mestres como Machado de Assis e Lima Barreto, para o mundo da internet. Como? Escrevendo em capítulos novelas sobre o cotidiano. Aqui ele dá vida um personagem chamado curiosamente de Fiódor Dostoiévski da Silva, um carioca do subúrbio, e o conduz ao mundo atabalhoado do século XXI. As novelas são publicadas exclusivamente em Conexão Jornalismo às terças e quintas-feiras. Eis o quarto capítulo:



Por Francis Ivanovich

Era a primeira vez que Dostô entrava numa cela. Preso, sem provas, experimentava uma sensação incompatível: tranquilidade. Os presos o olharam desconfiados, enquanto procurava seu espaço na jaula. Sentou-se no chão frio e ficou quieto. A lembrança de seu pai, lendo trechos de "Memórias do Subterrâneo", ganhou liberdade.

Leia os três primeiros capítulos da novela "Os Dias de Dostô:
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3


O pai sentado em sua cadeira de balanço, sob o abieiro frondoso, no quintal da casa na Baixada Fluminense, com o velho livro do autor russo nas mãos velhas e suadas.

- Ouça isso, Fiódor! - Era assim que seu pai o tratava. - Ouça o que o mestre diz neste trecho: "Ter muita consciência é uma doença; uma verdadeira e perfeita doença".

O Jovem Fiódor nada dizia, tentava compreender o que seu pai acabara de ler para ele com tanto entusiasmo.



Um dos presos se aproximou, decidido.



- Qual é a tua, cara?

- A minha?

- Não, da tua mãe! O que você fez?

Dostô pensou por um instante e sem saber o porquê, falou algo que jamais poderia ter imaginado em sua pacata vida de gráfico.


- Matei.

- Valeu! - O preso se afastou, voltando paro o seu canto.



Dostô dormiu em sua cela e sonhou com Sonia.



O casal sentado na areia, na Praia do Leme, um navio vermelho cortando o horizonte, sob o sol que o tornava num grande morango silvestre. Sonia recostou-se no ombro de Dostô e disse toda manhosa.

- Amor, por que você me matou?

- Eu jamais faria isso com você, Sônia! - Reagiu Dostô, indignado.

- Mentira, veja o meu pescoço.

Uma grande ferida aberta ornava o moreno pescoço de Sonia. Dostô despertou gritando, acordando os presos. Um deles, muito irritado, saltou sobre Dostô, colocando um estilete em seu pescoço.

- Cala a boca, cara!

E antes que o preso continuasse com a ameaça, Dostô falou algo que jamais poderia ter esquecido:

- "Ter muita consciência é uma doença; uma verdadeira e perfeita doença".

 

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Os Dias de Dostô IV
 

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