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Terça-feira, 17 de Abril de 2018

Morre aos 97 anos a Primeira Dama do Samba: Dona Ivone Lara - vídeos


Não havia no horizonte a expressão "empoderamento feminino", tão presente neste terceiro milênio, quando Yvonne Lara da Costa arrombou a porta dos compositores, cantores e músicos do samba para sentar no trono disponível. Afinal, nascido em 1921, esta carioca de Botafogo, filha de músico e de uma família de artistas, não viria ao mundo a passeio. Compositora, cantora e instrumentista, formada em enfermagem e na voz do morro, a mulher não pediu licença e se impôs. E olha que é dela a música que ensina a "pisar neste chão devagarinho!".



Falamos dela porque Dona Ivone Lara nos deixou. Foi na parada cardíaca tão breque quanto o samba que construiu ao lado de tantos bambas da música. Kid Morengueira que o diga. Seu corpo será velado na quadra da Império Serrano, sua escola de coração.

Ela estava internada desde sexta-feira (13), data em que completou 97 anos, no Centro de Tratamento e Terapia Intensiva (CTI) da Coordenação de Emergência Regional (CER), no Leblon, na Zona Sul da cidade. Ela foi a primeira mulher a vencer um concurso de samba-enredo: "Cinco bailes na história do Rio", em 1965, no querido Império Serrano, em parceria com Silas de Oliveira e Bacalhau.

Ouça aqui uma das mais belas composições populares do país composta por Dona Ivonne Lara:




Uma mulher, sua vida e sua obra: Ivonne Lara



Filha de João da Silva Lara e Emerentina Bento da Silva, dois ativos participantes dos ranchos carnavalescos do Rio do início do século XX, ela aprendeu em casa o que era se embrenhar no samba. Após a morte do pai, muda-se com a mãe para a Tijuca. Estuda no internato Colégio Municipal Orsina da Fonseca e tem aulas de música erudita com Zaíra de Oliveira, esposa do compositor Donga (1899-1974), e também com Lucília Villa-Lobos - casada com o maestro Heitor Villa-Lobos (1887-1959) -, que a indica para o Orfeão dos Apiacás, da Rádio Tupi, regido por seu marido.

Um samba que é a narrativa da vida e do amor:



Aos 17 anos, com a morte da mãe, muda com o tio Dionísio Bento da Silva para o subúrbio de Inhaúma. Ali aprende a tocar cavaquinho. Na ocasião, se inscreve no concurso da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto. Aprovada, passa a receber uma bolsa que ajuda no sustento da casa. Forma-se em 1943, e exerce a função de plantonista de emergência. Nas horas de folga, participa das rodas de choro organizadas na casa do tio, com a presença de Pixinguinha (1897-1973) e Jacob do Bandolim (1918-1969).

Em 1945, Ivone, que tinha em mente a importância do estudo, decide fazer o curso para se tornar assistente social. Logo que se forma é contratada pelo Instituto de Psiquiatria do Engenho de Dentro, em que permanece por 30 anos, até se aposentar. Especializa-se em terapia ocupacional e trabalha no Serviço Nacional de Doenças Mentais com a doutora Nise da Silveira (1905-1999), médica que revoluciona o tratamento psiquiátrico no Brasil.

A vida amorosa também não ficou parada. Em 1945, com o fim da guerra, a hora era do amor. Casou com Oscar Costa, filho do fundador da escola de samba Prazer da Serrinha. Sempre priorizando o trabalho de enfermeira, programa suas férias para fevereiro para poder participar dos desfiles de Carnaval. Com o fim da escola Prazer da Serrinha, passa a frequentar a Império Serrano, para a qual compõe alguns sambas, porém sem perspectiva de se profissionalizar na música. No entanto, nunca deixa de escrever seus sambas, embora raramente os mostre.

Algumas de suas canções são apresentadas a outros sambistas como de autoria de Mestre Fuleiro, um dos fundadores da Império Serrano e primo de Ivone. Por ser mulher, tem de enfrentar o preconceito para se lançar como compositora. Mesmo assim é a primeira mulher a integrar a ala dos compositores da escola de samba e, em 1965, assina com Bacalhau e Silas de Oliveira (1916-1972) Os Cinco Bailes da História do Rio, o samba-enredo da Império Serrano no Carnaval que comemora os 400 anos do Rio. Desde 1968, Ivone desfila na ala das baianas dessa escola.

Em 1970, participa do disco Sargentelli e o Sambão, gravado ao vivo, com as faixas Agradeço a Deus e Sem Cavaco Não, ambas feitas em parceria com Mano Décio da Viola (1909-1984). Adota o nome artístico de Dona Ivone Lara. Aposentada, em 1977, passa a dedicar-se exclusivamente à música. Um ano depois, lança seu primeiro LP, Samba, Minha Verdade, Minha Raiz. Dos discos seguintes, destacam-se Sorriso de Criança (1979), Sorriso Negro (1982), Ivone Lara (1985).

Com o parceiro mais constante, Délcio Carvalho (1939-2013) - com quem compõe Acreditar, em 1976, sucesso na voz de Roberto Ribeiro, e Sonho Meu, lançado por Maria Bethânia, em 1978, no LP Álibi, com participação de Gal Costa -, ganha o Prêmio Sharp de melhor música de 1978. Nas décadas posteriores, se consagra como uma das referências mais importantes da música popular brasileira.

 

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