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Cultura - Música

 

Domingo, 27 de Agosto de 2017

A sofisticação do samba de Wilson das Neves - vídeo

A morte de um dos mais respeitados compositores do samba, aos 81 anos, deixou o cenário musical sobressaltado. Não pelo inesperado da fatalidade que acometeu Wilson das Neves, já que o artista padecia de câncer e era tratado a partir de um quadro muito complicado, mas pela atualidade da sua mais sublima composição. "No dia em que o morro descer e não for Carnaval", falava que o morro desceria para cobrar suas dívidas com a elite branca. E, nestes tempos difíceis, não há dia em que a possibilidade não seja discutida.






por Augusto Diniz

A morte de Wilson das Neves, aos 81 anos, neste sábado (26/8), vítima de câncer, deixa o samba feito com sofisticação na letra e na melodia ainda mais restrito. O cantor, compositor e instrumentista carioca fazia parte de um selete grupo de sambistas de um refinamento musical raro, talvez conquistado pela grande experiência na sua primeira fase de músico.


Das Neves tem centenas de registros com todos os principais artistas brasileiros como baterista. Chegou a lançar quatro discos referência tocando o instrumento. Foi somente depois dos 60 anos, com toda essa bagagem, que se lançou cantor, apresentando um dos principais CDs do gênero no País: "O som sagrado de Wilson das Neves" (1996).

O disco é uma obra-prima do samba. O trabalho abre com a antológica "O samba é meu dom", uma ode ao gênero. O trabalho "O som sagrado" é todo de autoria de Wilson das Neves com Paulo César Pinheiro (tem uma faixa que conta também com Zé Trambique, falecido ano passado, como compositor).

Somente uma faixa não é da dupla de compositores. Trata-se da sétima música, chamada "Grande hotel", de Wilson das Neves e Chico Buarque, de quem foi músico.

Wilson das Neves foi baterista de Chico Buarque desde o início dos anos 80 e naquela época seu companheiro de quarto nas viagens com o cantor pelo mundo afora era Mestre Marçal (falecido em 1994) que, assim como das Neves, foi um refinado cantor e instrumentista-percussionista - os dois por vezes cantavam também com Chico em shows.

A relação dos dois era antiga e das Neves foi padrinho do filho de Mestre Marçal, o também músico Marçalzinho - lembrando que Mestre Marçal era filho do compositor Armando Marçal, conhecido pelo sua parceria com Bide, um dos precursores do samba e integrante da chamada Turma do Estácio do início do século passado.

No disco "O som sagrado" Wilson das Neves homenageou a elegância de Mestre Marçal com um samba intitulado com o nome desse histórico sambista ligado a Portela.

Depois desse disco, Wilson das Neves lançou outro CD brilhante, o "Barão de Orfeu" (2004). Desse trabalho, nasceu uma obra-prima dele com Aldir Blanc, a extraordinária "Imperial", um exemplo de requinte musical. A composição é uma referência ao Império Serrano, escola de samba da qual Wilson das Neves fazia parte - ouça ela aqui.

Wilson das Neves lançou ainda outros dois discos solos: "Pra gente fazer mais um samba" (2010) e "Se me chamar, ô sorte" (2013).

Ele ficou conhecido também por usar o bordão "Ô sorte" em suas músicas, o que acabou se tornando expressão comum entre os sambistas.

Suas parcerias se concentram com a nata do samba. Outro que assinou música com ele foi Luiz Carlos da Vila (falecido em 2008). A música "Os papéis" de ambos é uma complexa composição metalinguística.

As composições de Wilson das Neves, apesar da beleza, são pouco executadas em rodas de samba pela sofisticação musical - nem sempre há músicos habilidosos suficientes para percorrer os versos desse artista brasileiro, que deixa a marca da profundidade musical no samba de forma sublime.

Do GGN

 

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