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Cultura - Documentários

 

Segunda-feira, 30 de Outubro de 2017

Sílvio Tendler: o capitalismo sequestrou as democracias

Carioca, 67 anos, 70 filmes: Sílvio Tendler
Carioca, 67 anos, 70 filmes: Sílvio Tendler

O cineasta e documentarista Sílvio Tendler é dos grandes nomes do cinema nacional. Já documentou, entre outros, Brizola, Marighela, Jango, JK. O que não falta, ao diretor, é personagem e vontade de trabalhar. Este mês ele é capa do jornal Bafafá, do jornalista Ricardo Rabelo, onde fala de sua trajetória e da conjuntura política do país.




Por Ricardo Rabelo - Bafafá

O cineasta Silvio Tendler é o mais respeitado documentarista do Brasil. Conhecido como "o cineasta dos vencidos" ou "o cineasta dos sonhos interrompidos" por seus filmes abordarem personalidades como Jango, JK e Carlos Marighella, produziu e dirigiu mais de 70 filmes, entre curtas, médias e longa-metragens.

Professor da cadeira Cinema e História da PUC Rio, está lançando seu novo trabalho, o longa intitulado "Dedo na Ferida", que acaba de ganhar o prêmio de melhor filme pelo júri popular no Festival do Rio. Fruto de parceria com o Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro e a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros, o documentário mostra a influência do capital na política e a força do sistema financeiro na economia. Entre os depoimentos, Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia; Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil; Paulo Nogueira Batista Jr, vice-presidente do banco dos Brics e o cineasta franco-grego Constantin Costa-Gavras.

Em entrevista exclusiva ao Bafafá, Silvio Tendler faz uma radiografia da conjuntura econômica e política internacional e detona a força do capitalismo. "Acho que vamos conseguir derrotar toda essa escalada da direita do poder", fuzila o cineasta. Para ele, o mundo passa por ciclos que se alternam. "Não podemos ser catastrofistas. Estamos juntando os caquinhos e criando antídotos a esse mundo perverso", garante. Sobre utopias, desabafa: "Você constrói uma utopia que gera uma barbárie que gera uma nova utopia. E assim caminha a humanidade".

As democracias sucumbiram ao capitalismo?
Sim, o capitalismo sequestrou as democracias. Esse processo iniciado pelo Reagan e a Thatcher com a globalização sórdida que eles promoveram quebrou no mundo inteiro o estado de bem estar social. Privatizaram, sobretudo na Inglaterra, os sistemas públicos e espraiaram isso pelo mundo. O conservadorismo venceu na Europa através da troika e impuseram isso também aos países periféricos de políticas econômicas centralizadoras. Com isso, o mundo virou essa tragédia que nós estamos vendo.

Hoje, o neoliberalismo voltou com toda força?
Eu acho que agora é pior. Se bobear nós vamos ficar com saudades do neoliberalismo (riso). Está havendo uma expansão da direita brava. Esses dias, a extrema direita ganhou a eleição na Áustria e teve uma baita performance na Alemanha. E o que a gente está vivendo no Brasil não é diferente. Estamos vivendo um momento muito complicado no mundo.

Como você explica esse fenômeno?
A história é dialética. Ela é tese, antítese e síntese. Nós estamos num momento de antítese agora. Nos anos 90 a esquerda foi derrotada com o final do bloco soviético e ascendeu a globalização que não conseguiu atender as demandas do mundo. Nos anos 2000, a esquerda ganhou força e agora nos anos 10 a direita ocupa espaço novamente. No entanto, não podemos baixar a guarda e devemos continuar lutando.

O mercado vai ditar os processos democráticos no mundo?
A gente está lutando para que não. Como disse o jovem e brilhante economista da Unicamp, Guilherme Melo, o jogo ainda não está jogado. Pode ser que a gente perca, mas pode ser que ganhe. Só não podemos contar com a falta de habilidade deles, mas sim com a nossa habilidade. Precisamos derrotar esse "catastrofismo" que está se expondo na economia e no sistema político. A vantagem da esquerda é ter em mãos o movimento popular. Vai depender muito das pessoas acordarem e da juventude participar disso.

A acumulação de riquezas não tem fim?
Durante muito tempo aceitamos a balela do discurso da diminuição do Estado e agora enfrentamos a consequência disso. Está na hora da gente se reorganizar para defender uma administração pública coerente e condizente com as necessidades das nações.

A esquerda consegue se reerguer?
Não podemos ser catastrofistas. Estamos juntando os caquinhos e criando antídotos a esse mundo perverso e "globalitário". Acredito que vamos conseguir derrotar toda essa escalada da direita do poder. É até bom que a direita ocupe seus espaços para que a sociedade perceba com eles são muito piores do que a esquerda. Quem apoiou o impeachment da presidente Dilma hoje está podendo observar de camarote a burrada que fez (riso). O Aécio que era uma promessa da renovação política se entregou a esse jogo de uma forma muito triste e voraz. Inclusive, rompeu uma tradição dos derrotados em eleições ligarem para os vencedores parabenizando-os pela vitória. Ao contrário, foi o primeiro a acusar o partido de Dilma de ser uma organização criminosa. Ele está vendo agora o preço que essa ruptura representa para ele.

Qual foi o objetivo principal do seu filme "Dedo na Ferida"?
Foi botar o dedo na ferida (riso). Falar da questão do domínio do sistema financeiro na economia global. Eu mostrei o problema do Brasil que tem o maior endividamento com os bancos no mundo que chega a 45% do PIB. Nenhum outro país no mundo tem um PIB empenhado para pagar a dívida com o sistema financeiro. Foi muito prazeroso realizar as entrevistas do filme já que elas permitiram conviver com gente que pensa e discute as mazelas do mundo. E revelou o quanto estamos comprometidos com o sistema financeiro. O Costa Gavras riu quando falei que queria entrevistá-lo sobre economia. Ele é um cara muito antenado, que já fez dois filmes sobre a questão financeira. É nascido na Grécia, conhece a questão grega. É uma pessoa da velha guarda que tem uma cabeça humanista muito interessante.

E ganhar o Festival do Rio no júri popular? Feliz?
É como disse Glauber Rocha no "Deus e o Diabo na Terra do Sol": Mais fortes são os poderes do povo (riso). Foi escolhido pelo público que pagou para ver os filmes do festival. E, sobretudo, rompeu com o preconceito de que o público não gosta desse tipo de cinema. Entre tantos filmes abrangentes e de qualidade. Prova que o documentário tem lugar no cinema e que cinema política tem o seu lugar.

E como está vendo o governo Temer?
Vou divergir um pouco dos companheiros de esquerda. Em política ele é campeão. Não perdeu ainda nenhuma disputa (riso). Mesmo com 3% de aprovação popular, ele está conseguindo driblar tudo e se manter no poder. Mas, em política não existe gesto definitivo e último. Dá para reverter essas medidas que ele adotou. O PMDB nunca chegou ao poder pelo voto, sempre pega carona com outros partidos. Deu um golpe na Dilma e agora está pagando o preço desse desastre de governo.

Acha que Moro vai tirar o Lula do páreo?
Isso é um enigma. Se a democracia realmente ficar ameaçada com a saída do Lula do páreo, o judiciário não vai ter coragem de referendar isso. A Lava Jato reabilitou a figura do Lula.

Você acha que as utopias morreram?
Nunca. A utopia é uma coisa que nasce para não ser realizada (riso). Na minha opinião ela vem conjugada com a barbárie. Elas se alternam. Você constrói uma utopia que gera uma barbárie que gera uma nova utopia. E assim caminha a humanidade.

Tem algum agradecimento para seu novo filme?
Quero fazer um agradecimento especial às parcerias que fizemos. Principalmente ao sindicato dos engenheiros - SENGE - que topou investir no filme. É um sindicato antenado com a atualidade e que sempre produz cultura, seminários, debates. É a sociedade civil assumindo um papel histórico de produzir bens culturais e reflexões. Eu agradeço muito a ele e a sua diretoria. Não posso deixar de sinalizar o canal Curta que também ajudou em mídia para o lançamento do filme. Essas parcerias são fundamentais e necessárias.



Entrevista concedida ao editor do Bafafá, Ricardo Rabelo.
Outubro de 2017

 

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