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Cultura - Curta Conexão

 

Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019

Rio Acima: O Chile é ali na próxima esquina

O Chile é ali na próxima esquina

Entro no Uber e o motorista não diminui o volume do rádio. Incomodado por ter que pedir, peço. Ele leva um susto como que se dando conta da própria distração. O preço menor desse aplicativo tem seu preço: metade dos motoristas não conhece a cidade e a outra metade mal sabe dirigir. São os excluídos do mercado de trabalho neoliberal em busca de sobrevivência. O homem que está na minha frente é um desses. Ele me conta sua história:



Trabalhou numa grande rede de televisão por 18 anos. Era da equipe do mandar-chuva da emissora mas quando este deixou a casa, a casa caiu para todos os seus auxiliares.

_ Já vivi muito bem. Morava em frente à praia de Copacabana, agora divido um pequeno apartamento com a minha filha mais nova na Ilha do Governador. Quando acabou o dinheiro, a mulher foi embora e meu outro filho, graças a Deus, é nutricionista e está empregado _ diz o motorista, do qual só vejo uma banda do rosto, o cabelo bem aparado e a barba por fazer.

Sua fala mansa já me fez esquecer a deseducação do rádio alto. Quando ele me fala de sua rotina, minha simpatia vira pena.

_ Trabalho de segunda a segunda. Saio de casa às sete da manhã e rodo até oito da noite. Vivo cheio de dor no corpo.

_ Mas você não tira folga, não tem lazer? _ pergunto.

_ Não dá, meu divertimento é ver série na TV. O dinheiro não sobra. Quero comprar uma calça Levi's, porque eu gosto dessa marca, mas não consigo. Não sobra nada no fim do mês.

A impossibilidade de alguém que trabalha tanto poder comprar uma simples calça jeans me choca. Vejo que o Chile e o Equador são ali, na próxima esquina. Nunca houve tanta gente vivendo mal no Brasil. A explosão é uma questão de tempo.

Quando saiu da emissora de TV, ele tentou sobreviver vendendo refeições. Não deu.

- Com o fundo de garantia, comprei uma cozinha industrial. Contratei uma cozinheira mas durou só seis meses. Eu fornecia para funcionários de algumas empresas mas vendi fiado e levei muito calote. As pessoas eram demitidas e não me pagavam o que deviam. Outras simplesmente ficavam me enrolando. Para piorar, ainda estoquei muito alimento e tudo ficou encalhado.

Apesar do prejuízo, ainda deu para comprar o carrinho que hoje é seu ganha pão:

_ Ainda bem que eu tenho isso aqui. Onde eu arrumaria emprego com 57 anos?

Tento desanuviar:

_ Já viu Coringa?

Ele tem um sobressalto.

_ Vou hoje com a minha filha, é bom?

_ Ótimo, imperdível.


Marcelo Migliaccio é jornalista, documentarista, roteirista e tricolor.

Publicado originalmente no Blog Rio Acima

 

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