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Cultura - Cinema

 

Terça-feira, 10 de Março de 2020

Amigo de Marielle, Djeff Amadeus pede que Pellegrino volte atrás e desconvide Padilha

Marielle, Pellegrino e Padilha: fuzuê
Marielle, Pellegrino e Padilha: fuzuê

A polêmica sobre a escolha de José Padilha para dirigir o filme ficcional sobre Marielle Franco não encerra ou cede terreno ao tempo - conforme gostariam os defensores do convite. Padilha é considerado um dos responsáveis pela consolidação do racismo que tem determinado a morte de jovens negros em ações policiais. Tropa de Elite 1 foi um marco no comportamento arbitrário e criminoso da Polícia Militar. Apesar do currículo, ele foi indicado por Antonia Pellegrino para ser o diretor de filme que pretende, de forma ficcional, fazer uma narrativa da defensora de direitos humanos, Marielle Franco. Neste texto, publicado originalmente no site da Revista Carta Capital, Djeff Amadeus pede que ela volte atrás e desfaça o convite.


Por Djeff Amadeus

Como um amigo de coração de Marielle Franco, sugiro uma reflexão à Antônia Pellegrino: se se tem compromisso com aquilo que se diz (ser antirracista), então a dignidade cobra um preço: o de "voltar atrás".

Nesta semana, Antônia Pellegrino, para justificar a escolha de José Padilha como diretor da produção de uma série à memória de Marielle Franco, disse que conversou com muitas pessoas do mercado, mas não encontrou nenhum negro ou negra com as características que ela esperava: "Se tivesse um Spike Lee, uma Ava DuVernay.".

A melhor análise sobre o racismo (inconsciente) na fala de Antônia Pellegrino foi feita pelo Jurista e filósofo Sílvio Almeida,[1] em sua página, no Twitter - você pode ler aqui. A inspiração para a afirmação contida no título deste texto - não existe racismo estrutural exculpante - adveio da seguinte observação feita por Sílvio Almeida: "Pensar o racismo como estrutural é tirá-lo do campo da culpa (e da desculpa) e tratá-lo na dimensão da responsabilidade política." E concluiu, dizendo que o racismo estrutural não pode ser usado como desculpa para ser irresponsável.

Dizer que não existe racismo estrutural exculpante, portanto, significa dizer, aqui, que o racismo não pode servir de desculpa para justificar o racismo, ainda que sob o pretexto de boas intenções.

Em outras palavras, o fato de não haver pessoas negras diretoras de cinema com carreiras consolidadas no monopólio do cinema brasileiro, sufocado a mãos brancas desde sempre, jamais será uma justificativa para não se oportunizar a direção de uma pessoa negra, sobretudo quando a história é tão cara aos povos descendentes de escravizados no país. Com o passar do tempo, com a disputa de narrativa a duras penas no país de supremacia branca, trata-se de um argumento ainda mais deslocado da realidade, desonesto intelectual e com uma carga racista relevante. Uma vergonha.

Com isso, pretendo, em poucas linhas, tratar de uma distinção (a meu ver fundamental) entre culpa e vergonha, porque, se se pretende ser antirracista, como se diz, então a desculpa somente pode ser verdadeira e sincera se feita com base na vergonha (e não na culpa). Eis a minha tese, inspirada em Jacinto Coutinho e Calligaris.

Isto porque, se a culpa confere à pessoa uma espécie de cheque pré-datado, que lhe permite "auto absolver-se"., com a vergonha a coisa é diferente; e é diferente porque a vergonha cria uma cicatriz.[2]

Com isso, estou querendo dizer o seguinte: uma desculpa baseada na culpa nunca é suficiente, porque a desculpa baseada na culpa libera a pessoa para poder a praticar o mesmo erro, funcionando como uma espécie de Habeas Corpus com prazo determinado, que, quando ultrapassado o prazo, o levaria novamente à prisão.

Por isso, uma desculpa sincera não deve se basear na culpa, mas sim na vergonha, porque ela (a vergonha) cria uma cicatriz - que não sai - funcionando como um regulador inafastável para as condutas futuras.[3]

Por isso, se se desculpasse com base na vergonha, Antonia Pellegrino não teria coragem de, mais uma vez, tentar justificar o injustificável. Metaforicamente falando, a cicatriz a faria lembrar da sua atitude racista e colocaria nela um freio moral, o que não acontece com a culpa, que um simples ajoelhar no chão faz-lhe parecer suficiente. Não, não é!

A diferença entre o antirracista que se desculpa com base na culpa, para o antirracista que se desculpa com base na vergonha, é que o primeiro simplesmente afirma que não é racista, principalmente pelas redes sociais, ao passo que o segundo, se reconhece como um racista e se pergunta: de que modo eu propago o racismo e que atitude prática posso fazer para lutar contra isso?

Bem, eu tenho uma proposta à Antônia Pellegrino: em vez de agir como uma "antirracista" que, baseando-se na culpa, fica em casa pensando postagens para demonstrar ao mundo que não é racista, sugiro que aja como uma antirracista que, baseando-se na vergonha, volte atrás, reconhecendo que a indicação de alguém que contribuiu para o atual estado de elevação do autoritarismo não pode ser protagonista de um trabalho à memória de Marielle Franco.

E, embora seja uma prática antirracista a partir do lugar social de mulher branca oportunizar protagonismos a pessoas pertencentes a grupos sociais oprimidos, que são invisibilizados e apagados pelo sistema racista e colonial, a incoerência da escolha não tem a ver com o fato dele ser branco tão somente, mas sim o fato do diretor em questão possuir valores e biografia que não condizem com aqueles que foram ensinados e praticados por Marielle Franco.

Quanto ao erro e o perdão, de fato todos e todas erramos. E somos dignos e dignas de perdão! Mas, o perdão, como dito, só serve se for baseado na vergonha (e não na culpa), afinal, se fosse suficiente um simples pedido de desculpas, baseado na culpa, então o Bruno seria goleiro do seu time de futebol, caso tivesse um, caríssima Antônia Pellegrino?

Enfim: pela entrevista deduzimos que também não gosta de cancelamentos. Concordo com você! Aliás, acho que quem cancela diz muito mais sobre si do que o cancelado. Estamos juntos quanto a isso. Por isso, faço-lhe este pedido, até porque dizem que você é séria e antirracista, mas será? Veremos, pois a dignidade e o caráter cobram um preço.

É chegado o momento de saber se, de fato, o que dizes vale na prática. Não apenas pelas responsabilidades políticas quanto ao lugar de fala, ao racismo estrutural, mas também pelo respeito à memória e legado de luta de Marielle Franco!

Grande abraço!

 

Veja também:

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