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Segunda-feira, 07 de Janeiro de 2019

Teonomismo: fé que ameaça remover a Constituição embarca no governo Bolsonaro

O velho testamento e as propostas adaptadas ao passado
O velho testamento e as propostas adaptadas ao passado
Por Fábio Lau*

O governo Bolsonaro carrega consigo muito dos princípios de uma corrente cristã filosófica, extremamente radical, que acredita na proximidade do fim do mundo, o Apocalipse, e na necessidade ("missão") de transformar o planeta em um ambiente exclusivamente Cristão. E isso não é segredo. São muitas os representantes religiosos no governo. E um parlamentar que estará na base de sustentação, Sóstenes Cavalcante (DEM/RJ), revelou que a pressão do grupo evangélico para que o governo Bolsonaro, por exemplo, transfira a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém obedece a preceitos bíblicos, e não diplomáticos. Para ele e seu grupo que na Câmara, oficialmente, corresponde a 90 deputados, o que está em jogo é a volta de Cristo: "Israel é um termômetro dos sinais do cumprimento do que está escrito no Livro do Apocalipse. A nossa fé acredita nisso. A transferência da embaixada diz respeito a isso. Para nós, todo cenário será preparado para o Armagedom, como descrito no Apocalipse, e o palco do Armagedom será na cidade de Jerusalém", disse.



Conhecida como Teonomismo, a filosofia prega que as omissões do Novo Testamento Bíblico devem ser preenchidas, a título de obediência cega, com as afirmativas do Velho Testamento - a bíblia judaica. Assim, as brechas para punições capitais estariam contempladas em eventuais ações do governo. Isso explicaria as repetidas falas oficiais que invocam o extermínio de adversários como modo de governança. No Velho Testamento a pena de morte e apedrejamento são sentenças toleradas.

Para os mais atentos na conjuntura política, em dois momentos a ministra mais polêmica do governo, Damares Alves, da pasta de Direitos Humanos, Mulher e Família fez referência a esta corrente religiosa instalada no governo. No primeiro, durante a posse, disse que o Ministério de Bolsonaro não foi montado ao acaso, mas teria havido uma ingerência de Deus. No segundo, ao falar sobre a questão "azul e rosa" envolvendo meninos e meninas, ela gritou se tratar de "uma nova era" - é o termo como identificam este novo projeto político/social e religioso do Brasil.

Veja o vídeo e relembre:



Princípios como a liberdade religiosa, de expressão e política, entre outros, garantidos pela Constituição de 1988, estão neste momento sob risco. Nunca o país se viu tão impregnado de componentes religiosos misturados com o universo político. Não são poucas as declarações de autoridades do governo que invocam trechos bíblicos para falar de política e gestão social.

Outra marca desta proposta, que prega, entre outras ações, a proximidade com militares, é a criminalização da homossexualidade, a influência sobre a Educação e a Família, a anulação de religiões consideradas "falsas", o combate a feiticeiros e curandeiros e principalmente a opositores políticos.

Chama a atenção uma coincidência: o caso do espiritualista João de Deus, de Abadiânia. Ele foi recentemente acusado de estupro, tráfico internacional de crianças e escravidão de mulheres para fins sexuais. Denúncias tão horrendas vieram à tona quase que simultaneamente à instalação do governo Bolsonaro.

Teonomismo



Um pastor de igreja evangélica tradicional, Alexandre Gonçalves, com milhares de seguidores no Twitter, postou uma mensagem que atraiu debates acalorados no fim de semana:

"Uma das heresias evangélicas que ajudaram Bolsonaro a se eleger é o teonomismo. Seus adeptos acreditam em uma teocracia cristã e que as leis divinas do antigo testamento devem ser cumpridas pela sociedade civil. Como pastor e teólogo, sinto-me na obrigação de denunciar essa insânia".

Outro teólogo resumiu: "Teonomia é a extrema direita do extremismo que é a teocracia. Uma aberração em que a pena de morte é banal. É pior que retroagir ao Código de Hamurabi. É regredir mais ou menos uns 4 mil anos", disse.

Outro teólogo acrescentou: "para um seguidor desta filosofia, que tem muitos adversários e opositores dentro do próprio núcleo, a Constituição jamais poderá ser argumento para barrar um princípio bíblico. Desta forma não será surpresa se eles atropelarem direitos consolidados a título de atender a uma demanda divina", explicou, e ainda acrescentou:

- Caberá às autoridades do Judiciário fazer respeitar a lei.

O fato é que, embora a defesa de transferência da embaixada do Brasil em Israel esteja em debate no governo, a transformação de todos os seres humanos em cristãos será uma tarefa ainda difícil. Segundo estudos recentes, as religiões cristãs teriam 2,2 bilhões de adeptos em um universo de 7,5 bilhões de pessoas no planeta. Mesmo assim, a maioria ainda é a de católicos seguidores do Papa Francisco. O islamismo teria 1,6 bilhão, enquanto o hinduísmo, religião tradicional chinesa e o budismo reuniriam ao todo 1,5 bilhão. As demais religiões não alcançariam 300 milhões de representantes com maior destaque para o judaísmo, Espiritismo e religiões africanas diversas.

Assim percebe-se que o maior grupo populacional é representado por ateus ou agnósticos - os que não têm religião. São quase dois bilhões.


* Fábio Lau não tem religião, mas é simpatizante da Pastoral da Terra católica, Umbanda e Candomblé (de matriz africana) e do taoismo.


 

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